A aula começaria em alguns minutos, passei no meu armário e tentei me lembrar de qual livros iria precisar. O corredor foi ficando vazio, apenas um grupo de oito alunos ainda estava parado lá. Eu teria sorte se fosse um grupo de alunos comuns, mas assim que ouvi as risadinhas percebi que ali estavam as oito pessoas mais populares e mesquinhas do colégio. Maravilha, tirei a sorte grande. As garotas começaram a "cochichar" alto para que eu pudesse ouvir.
- Não é a esquisita, Halen? - disse uma delas.
- Sim. Ouvi dizer que ela ficou um tempão em um reformatório - respondeu a ruiva com cara de esquilo.
Reformatório? Aquela era nova. Fechei o armário com força e me dirigi até a minha sala, que, por acaso, ficava bem atrás daqueles infelizes. Assim que cheguei perto deles um dos garotos segurou meu braço. Pude perceber pelos músculos e pela expressão de confiança que ele era Thomas Anderson, o queridinho da escola e arrasador de corações.
- Você realmente foi parar em um reformatório, Carrie? - pediu ele.
Demorei apenas alguns segundos para perceber que ele havia me comparado com Carrie a Estranha, até porque meu nome nem era aquele. Sua expressão era firme, mas seus olhos estavam tristes, como se ele não gostasse do que estava fazendo. Arqueei as sobrancelhas e comecei a analisa-lo, Thomas engoliu em seco, ele parecia nervoso. Quem diria, Thomas Anderson nervoso. Me aproximei dele, já sentindo sua respiração e falei:
- Seu zíper está aberto.
Rapidamente ele baixou as mãos e ajeitou a calça. Aproveitei essa deixa para entrar na sala, aquele acontecimento me faria rir por anos e provavelmente faria com que eu fosse ainda mais odiada. Algumas horas depois me dirigi para a quadra e para o meu pior pesadelo: a aula de educação física. Minha especialidade agora era me livrar dos exercícios e isso significava ter que ficar cinquenta minutos em baixo de uma arquibancada fedorenta. Sorrateiramente abri uma pequena portinha e segui para a escuridão que era aquele lugar. Mas algo estava diferente naquele dia, eu não estava sozinha. Confirmei esse pressentimento assim que o cheiro forte de erva invadiu meu nariz. Tossi algumas vezes por causa da fumaça e acendi a luz. A pessoa que estava sentada a alguns metros de mim com olhos arregalados era a última que eu esperava ver.
- Quem diria - falei rindo - O astro do futebol fumando em plena escola. Isso provavelmente não é algo que o diretor ficaria contente em saber.
Eu estava me divertindo com aquilo. Sua cara de pânico era uma comédia.
- Por favor! Você não pode contar! - implorou Thomas.
Soltei uma risada.
- Não se preocupe Garoto Estrela do Futebol, seu pequeno segredo está guardado comigo.
Suas feições se suavizaram.
- Obrigada... - ele pareceu confuso e envergonhado.
- Lilith - falei
- Isso - Thomas estendeu a mão - E meu nome é Thomas.
Olhei para sua mão e sorri.
- Eu sei - me virei e saí, deixando Thomas sozinho.
Quatro semanas se passaram. Eu e Thomas nos víamos todos os dias, mas duas vezes por semana nos encontrávamos em baixo da arquibancada. Talvez ele não fosse uma pessoa tão ruim quanto eu pensava. Na verdade ele era gentil e doce, o que me deixou um tanto confusa. Perto dos amigos ele fingia sentir nojo de mim, mas quando estávamos apenas nós dois ele abria seu coração e me contava tudo que o preocupava. Aquilo não era bom, não era nada bom, eu estava começando a ficar vulnerável, eu estava começando a gostar daquele mauricinho maravilhoso.
- Eu sinto muito - disse ele.
- Pelo o que? - perguntei olhando para seus olhos azuis.
- Por tratar você daquele jeito.
- Então não faça novamente - falei.
- E não quero fazer, mas é complicado - disse Thomas com tristeza no olhar.
Complicado era ter que ouvir coisas sem sentido sobre você mesmo. Ficamos em silêncio.
- Eu gosto de você Li - disse ele sem olhar pra mim.
Meu coração acelerou. Eu só poderia fazer uma coisa. Agarrei a nuca de Thomas e aproximei nossas bocas. Secretamente eu esperava por isso. O beijo foi urgente e cheio de paixão. Talvez as coisas fossem mudar. Talvez Thomas finalmente decidisse que ficar comigo era mais importante do que manter as ridículas aparências. Nos afastamos ofegantes, um sorriso invadiu meus lábios, mas Thomas estava mais branco do que nunca.
- Tenho que ir - disse ele antes de partir.
Esperei mais alguns minutos e saí pela porta. Congelei assim que vi Thomas e seus amigos parados discutindo. Ele entrou em pânico assim que me viu.
- O que essa esquisita estava fazendo com você aí dentro? - perguntou uma das garotas.
Cruzei os braços e franzi a testa. Ele teria que contar aos amigos sobre nós.
- Responda Thomas! O que essa nojenta fazia lá? - perguntou a cara de esquilo.
- Essa aí? - Thomas apontou para mim com cara de nojo - Ela estava implorando por um pouco de atenção. É apenas mais uma coitada.
Cada palavra entrou como navalha no meu coração. Eu deveria saber que era um erro me aproximar de alguém como ele. Mas eu não pude evitar, estava me apaixonando por Thomas Anderson. E pela primeira vez, me deixei chorar na frente deles. Pude ver a cara de sofrimento de Thom, mas aquilo não iria adiantar, ele preferiu me humilhar e sempre seria assim. Comecei a correr pelo corredores sem me importar em chamar atenção.
- Espera Li! - gritou Thom.
Mas eu não iria esperar por ele. Continuei correndo e correndo. Eu nunca mais deixaria meu coração vulnerável outra vez.
- Quem diria - falei rindo - O astro do futebol fumando em plena escola. Isso provavelmente não é algo que o diretor ficaria contente em saber.
Eu estava me divertindo com aquilo. Sua cara de pânico era uma comédia.
- Por favor! Você não pode contar! - implorou Thomas.
Soltei uma risada.
- Não se preocupe Garoto Estrela do Futebol, seu pequeno segredo está guardado comigo.
Suas feições se suavizaram.
- Obrigada... - ele pareceu confuso e envergonhado.
- Lilith - falei
- Isso - Thomas estendeu a mão - E meu nome é Thomas.
Olhei para sua mão e sorri.
- Eu sei - me virei e saí, deixando Thomas sozinho.
Quatro semanas se passaram. Eu e Thomas nos víamos todos os dias, mas duas vezes por semana nos encontrávamos em baixo da arquibancada. Talvez ele não fosse uma pessoa tão ruim quanto eu pensava. Na verdade ele era gentil e doce, o que me deixou um tanto confusa. Perto dos amigos ele fingia sentir nojo de mim, mas quando estávamos apenas nós dois ele abria seu coração e me contava tudo que o preocupava. Aquilo não era bom, não era nada bom, eu estava começando a ficar vulnerável, eu estava começando a gostar daquele mauricinho maravilhoso.
- Eu sinto muito - disse ele.
- Pelo o que? - perguntei olhando para seus olhos azuis.
- Por tratar você daquele jeito.
- Então não faça novamente - falei.
- E não quero fazer, mas é complicado - disse Thomas com tristeza no olhar.
Complicado era ter que ouvir coisas sem sentido sobre você mesmo. Ficamos em silêncio.
- Eu gosto de você Li - disse ele sem olhar pra mim.
Meu coração acelerou. Eu só poderia fazer uma coisa. Agarrei a nuca de Thomas e aproximei nossas bocas. Secretamente eu esperava por isso. O beijo foi urgente e cheio de paixão. Talvez as coisas fossem mudar. Talvez Thomas finalmente decidisse que ficar comigo era mais importante do que manter as ridículas aparências. Nos afastamos ofegantes, um sorriso invadiu meus lábios, mas Thomas estava mais branco do que nunca.
- Tenho que ir - disse ele antes de partir.
Esperei mais alguns minutos e saí pela porta. Congelei assim que vi Thomas e seus amigos parados discutindo. Ele entrou em pânico assim que me viu.
- O que essa esquisita estava fazendo com você aí dentro? - perguntou uma das garotas.
Cruzei os braços e franzi a testa. Ele teria que contar aos amigos sobre nós.
- Responda Thomas! O que essa nojenta fazia lá? - perguntou a cara de esquilo.
- Essa aí? - Thomas apontou para mim com cara de nojo - Ela estava implorando por um pouco de atenção. É apenas mais uma coitada.
Cada palavra entrou como navalha no meu coração. Eu deveria saber que era um erro me aproximar de alguém como ele. Mas eu não pude evitar, estava me apaixonando por Thomas Anderson. E pela primeira vez, me deixei chorar na frente deles. Pude ver a cara de sofrimento de Thom, mas aquilo não iria adiantar, ele preferiu me humilhar e sempre seria assim. Comecei a correr pelo corredores sem me importar em chamar atenção.
- Espera Li! - gritou Thom.
Mas eu não iria esperar por ele. Continuei correndo e correndo. Eu nunca mais deixaria meu coração vulnerável outra vez.
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