História de Halloween - minha autoria
O dia 31 havia se aproximado rapidamente, todos estavam no clima do dia das bruxas e a escola parecia mais o castelo do Conde Drácula. Teias de aranha penduradas no teto, abóboras, manequins imitando cadáveres, esqueletos, ratos, aranhas gigantes e até sangue falso completavam o cenário de "horror". Os alunos haviam se dedicado muito para tudo ficar perfeitamente assustador, o último andar foi todo climatizado como uma casa do terror, o ginásio era o local principal, onde a banda "The Osseus" tocaria ao vivo durante boa parte da noite. A mesa de ponche e comidas duvidosas ficava em um canto perto das arquibancadas e ao lado dela haviam sido colocadas tintas neon de diversas cores.
Os alunos chegavam aos poucos, todos fantasiados. As garotas mais atrevidas utilizavam o Halloween como desculpa para usarem fantasias bem curtas, como coelhinha da playboy, gatinha, enfermeira, branca de neve sexy e militar. O grupo nerd usava roupas que lembravam química, geometria e até física. Os jogadores de futebol se vestiam deles mesmos. Mas haviam aqueles que ficavam por pelo menos um mês pensando no que usar e que provavelmente ganhariam o concurso de melhor fantasia, como Jake Hiulis que estava vestido de absorvente, Megan Lahí que imitava um chuveiro, Sara e Jéssica Ferner que eram o sal e a pimenta e James Grind que era o Sub Zero do Mortal Kombat. Eu estava caracterizada de Caçadora das Sombras, um vestido preto na altura das coxas, uma capa preta com capuz, botas e várias tatuagens espalhadas pela pele que ficava à mostra. A banda já estava no palco improvisado, pronta para começar. A festa ganhava início.
O som da guitarra e da bateria fazia o chão tremer e uma onda de empolgação atravessava meu corpo fazendo meus ossos vibrarem. As pessoas estavam começando a se animar. Me dirigi até a mesa do ponche fumegante, peguei um copo e derramei o líquido dentro, tinha um cheiro de morando e algo que não consegui identifica. Peguei as tintas neons amarela e verde e risquei meu rosto fazendo desenhos tribais. Com o canto do olho consegui vislumbrar um garoto misteriosos que me encarava de um jeito estranho. Ele estava apoiado um uma parede mais isolada e vestido de vampiro. Suas olheiras eram fundas, os olhos vermelhos e uma substância vermelha escorria pelo canto de sua boca, ele havia caprichado muito na fantasia.
Os The Osseus já tinham tocado todo o repertório e o DJ se preparava para colocar as músicas mais pedidas. Eu já estava no quarto copo de ponche quando uma tontura me fez perder parcialmente a força. Minha cabeça rodava e eu não conseguia enxergar direito. Olhei para o meu copo e uma substância negra e grossa tomava o lugar do ponche. A música havia se tornado calma e sinistra. Cambaleei para trás e meu corpo se chocou com algo sólido, mãos agarraram minha cintura e algo se aproximou do meu pescoço. Lábios. Um hálito quente fez minha pele se arrepiar e algo que parecia ser um nariz muito gelado brincou com área sensível do meu pescoço. Lâminas afiadas perfuraram minha pele e o sangue parecia estar sendo sugado. Uma dor terrível atingiu o lugar onde as lâminas estavam. Tentei gritar mas foi em vão. Eu estava ficando sem energia. Meu corpo começou a ser puxado, eu balbuciava coisas sem sentido e enviava comandos para meus braços e pernas.
Já não estava mais no ginásio, provavelmente me localizava no lado de fora da escola, já que o ar estava gelado. Eu continuava a ser puxada mas agora não lutava mais. As mãos me soltaram e eu caí com um baque surdo no chão. Minhas veias começaram a queimar, parecia que tinham injetado ácido na minha corrente sanguínea. A dor era insuportável. Uma voz rouca soou perto do meu ouvido:
- Você é a escolhida, Demetria.
Mergulhei em um sono profundo.

