E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

segunda-feira, 23 de março de 2015

As aventuras de Emily "Qualquer Coisa" - parte 2



   Texto de minha autoria

Duas semanas haviam se passado desde o "pequeno incidente". Duas semanas sem ver o Owen, mal saindo do meu pequeno quarto. Eu conseguira me livrar do trabalho de servir os Morgan no jantar, mas eu havia trocado isso pela limpeza dos banheiros. Ou seja, tudo estava indo de mal a pior. Minha rotina agora consistia em escola, limpar banheiros, limpar a cozinha, limpar o chão, limpar, limpar e limpar. Eu conseguia sentir os olhares de pena de todos os outros criados sobre mim, até mesmo de Gerald, o jardineiro. Eles viviam tentando me consolar, mas mal eles sabiam que o único consolo que eu queria vinha de grandes olhos esverdeados que a tempo eu não via. Eu andava por aquela gigantesca casa evitando meus inimigos, mas implorando por um pouco de carinho daqueles que eu amava. Até que esse dia chegou. 
   Eu estava terminando de limpar a sala de videogame quando os pelos da minha nuca se eriçaram. 
   - Eu tinha me esquecido de quão bom é o seu perfume - disse uma voz baixa e suplicante.
   Meu estômago se embrulhou e minhas mão começaram a suar incontrolavelmente, eu havia perdido a habilidade de falar. Continuei de costas temendo não conseguir me manter de pé.
   - Pensei que você só chegaria mais tarde - falei com um resquício de voz.
   - Eu gostaria de lhe mostrar uma coisa - disse Owen simplesmente. 
   Virei devagar e mirei meus sapatos, pelo menos eles não possuíam um sorriso deslumbrante. 
   - Desculpe, mas preciso terminar o serviço.
   - Por favor, venha comigo Em - suplicou ele novamente. 
   Como eu resistiria àquele pedido? Larguei o pano de limpeza em cima da mesinha e segui aquele maravilhoso rapaz. Ele andava confiante, porém eu sentia o medo exalando dele. Talvez medo de ser pego pela mãe. Subimos um lance de escadas perfeitamente polidas e adentramos um gigantesco corredor com diversas portas. Meu coração parou por alguns segundos, aquele era o andar dos quartos, Owen estava me levando até seu quarto? O que eu deveria fazer? Sair correndo? Ficar? Meu coração e minha mente brigavam, mas meus pés continuavam me guiando pelo caminho traçado por Owen. Ele parou em frente a porta que eu julgava ser seu quarto e abriu apenas uma fresta.
   - Você não precisa ficar nervosa Emily, minha mãe não está em casa e eu jamais machucaria você - sua voz suava preocupada.
   Ele já havia me machucado, não fisicamente, mas o fato de Owen não me proteger naquela noite doeu mais que o tapa de sua mãe. Owen esperou alguns segundos, mas como eu não disse uma palavra em resposta ele terminou de abrir a grande porta de madeira. 
   Seu quarto não era o que eu imaginava. As paredes possuíam uma cor clara, que eu sabia ter sido escolha de Fleur, tudo era impecavelmente arrumado, mas é claro que isso não havia sido obra de Owen. Eu sabia que era Anette quem cuidava dos quartos, e diversas vezes eu ouvira falar de como Owen era bagunçado. Mas não foram as paredes que chamaram minha atenção e muito menos a organização, em um canto mais escuro folhas e mais folhas haviam sido penduradas desordenadamente. Eram desenhos feitos de carvão e possuíam os mais variados modelos. Cachorros, gatos, paisagens, pessoas que eu que eu desconhecia, tudo parecia uma confusão, como se Owen procurasse a felicidade nos desenhos. Eles ocupavam grande parte da parede e iam do chão ao teto. Owen me fitava ansioso, esperando por alguma coisa. Até que, passando os olhos novamente pelos desenhos, um deles chamou minha atenção. Era uma garota com os braços abertos sorrindo alegremente, ela era extremamente parecida... comigo. 
   - Owen - sussurei - Aquela sou...sou eu? 
   - Sim, queria que você visse - disse ele suspirando. 
   - Por que? - minha voz falhou.
   - Pensei que soubesse - disse Owen.
   - Que eu soubesse o que? - perguntei olhando finalmente para os seus olhos verdes. 
   Ele se aproximou rapidamente de mim e levantou lentamente uma das mãos. Afastei-me por instinto fazendo com que ele abaixasse a mão. 
   - Você é linda e nem sabe disso, Emily. Eu a observo quando posso, seus olhos brilham como as estrelas que nós observamos naquela noite. Você é incrível Emily e eu acho errado que não saiba disso. 
   Engoli um seco. Aquilo não poderia ser verdade, coisas assim só aconteciam nos meus sonhos. Mas eu estava lá, eu estava vendo o desenho que Owen havia feito de mim. E ele estava perto de mim, perto demais. Eu conseguia sentir seu cheiro de colônia masculina, uns centímetros mais perto e seus cílios encostariam em mim. 
   Eu precisava dizer que eu me sentia do mesmo jeito, precisava dizer que eu estava apaixonada por ele. Mas assim que abri meus lábios, para deixar as palavras fluírem, um barulho alto me assustou. Arregalei os olhos e corri até a janela de Owen. Fleur já estava entrando em casa a passos largos. Meu coração acelerou e eu pensei que ele escaparia pela minha boca. 
    - É a sua mãe! Preciso sair daqui, Owen! - falei desesperada. 
    - Você não pode ir, Em!- disse ele agarrando meu braço.
    - Desculpe - sussurrei sentindo meus olhos arderem. 
    Abri a porta de seu quarto rapidamente, tropeçando na pessoas que estava parada do lado de fora. Assim que levantei a cabeça meu coração parou uma segunda vez, mas agora não era por algo bom. Cloe, a irmã do mal, se encontrava parada bem na minha frente, seus braços estavam apoiados na fina cintura e um maligno sorriso estampava seu perfeito rosto. 
    - Ora, ora, ora. Veja o que temos aqui - disse ela mantendo o sorriso - Owen, maninho, não esperava isso de você. O que será que a mamãe achará disso...? 
     Não esperei pela resposta de Owen, desviei da bruxa má e corri o mais rápido que pude. Eu precisava chegar a cozinha. Quando cheguei lá meus pulmões gritavam por mais oxigênio. Aquilo não podia estar acontecendo. Meus dias naquela casa estavam prestes a virar um inferno. Eu corria o risco de nunca mais poder me aproximar de Owen. Mas isso seria o fim... o fim da única coisa boa que me aconteceu. 

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