E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bela Redenção

"Liis Lindy é uma agente do FBI decidida a se casar apenas com o trabalho. Ela adora sua mesa, está em um relacionamento sério com seu laptop e sonha em ser cumprimentada pelo diretor depois de solucionar um caso difícil. 
O agente especial Thomas Maddox é arrogante e implacável, um dos melhores que o FBI tem a oferecer — e chefe de Liis. 
Quando Liis e Thomas são encarregados de uma missão em que precisam fingir ser um casal, a atração entre eles chega ao limite — e os leva a questionar quanto realmente estavam fingindo.
Bela redenção é o segundo volume da série que narra a excitante, romântica e por vezes volátil jornada dos Maddox rumo ao amor. Chegou a hora de conhecer o mundo misterioso do esquivo Thomas e descobrir como a paixão pode ser intensa quando você não é a primeira, e sim a última. Além, é claro, de rever os outros irmãos da família Maddox."



A vida de Liis estava longe de ser uma aventura. Ela sempre obedeceu os pais, evitou os riscos, "amou" sem se expor e protegeu seu coração. Até que a monotonia passou a ser insuportável. Aproveitando uma promoção do FBI, Liis muda sua vida e deixa tudo o que ela conhece no passado. Assim que chega na cidade nova, Lindy se vê em uma situação inusitada: um cara desconhecido e irresistível, uma oportunidade, uma experiência nova. Liis mergulha de cabeça e descobre sensações que nunca tinha tido com Jackson, seu ex namorado. Porém, o conto de fadas acaba e ela percebe que o príncipe não tão encantado é seu vizinho e o odiado SAC do FBI, seu mais novo chefe Thomas Maddox. Ambos tentam evitar a atração que sentem, mas em uma missão onde os dois devem ser um casal e enfrentar o doloroso passado de Thomas, o amor aflora e a barreira em seus corações começa a desmoronar. 


Jamie McGuire entrou na minha lista de melhores escritos depois que eu li seu primeiro livro e não foi diferente com o restante dos seus livros. "Bela Redenção" conta a história de amor de Thomas Maddox, o irmão mais velho que teve uma pequena aparição em "Bela Distração", o livro que conta a história de Cami e Trenton . 
Fiquei muito entusiasmada quando li a sinopse de "Bela Redenção" , já que se trata de um romance envolvendo FBI e investigações. A narrativa é em primeira pessoa, com Liis contando a história, e é simplesmente irresistível (assim como Thomas). A melhor parte foi entender o lado de Thomas, acompanhar sua dor e sua caminhada até encontrar o amor da sua vida. Também foi incrível ver a jornada de Liis e suas descobertas, ela conseguiu desfazer a muralha que protegia seu coração e ficou livre para amar Thomas. 
Como de costume, devorei o livro e amei seu enredo, porém, algo não me satisfez. O livro acaba com Liis se mudando para o outro lado de país e Thomas indo junto, dez anos se passaram, os dois continuam namorando e esperam por um bebê, mas não consegui detectar a emoção neles, como se não estivessem felizes. Isso tirou um pouco da magia do livro e me deixou um tanto desencantada. 

Falando um pouco dos personagens principais: 
Thomas Maddox: Thomas, como o resto dos irmãos, consegue ser irresistível, mas percebi que a autora resolveu explorar um lado mais sentimental do que sexual, o que, por um lado, deixou o livro mais pesado, mas passou uma mensagem de superação e amor. Thomas conseguiu ser diferente dos outros irmãos, carregando uma carga emocional muito maior e se mostrando um homem com um coração gigante.
Liis Lindy: uma garota normal com uma vida pacata que descobre o amor na cidade grande. Ela sabe o que quer e luta para subir na vida, vivendo exclusivamente para o trabalho. Seu coração nunca foi quebrado, mas ela nunca amou. Em sua jornada ela descobre que pode amar tanto seu trabalho quando o amor da sua vida. 

"Bela Redenção" é mais um livro da série "Belo Desastre" e veio para ficar. 

Autor: Jamie McGuire
Editora: Verus Editora
Nº de páginas: 302
Avaliação: 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sem Proteção - Parte 5

Os nós dos meus dedos encontraram novamente o sólido saco de areia, se minhas mãos não estivessem protegidas pelas faixas provavelmente o lugar estaria em carne viva. Soquei mais algumas vezes e senti o suor escorrendo pelas minhas costas. Minha respiração estava ofegante, mas eu sentia meu corpo muito mais forte. Eu estava cumprindo a promessa de nunca mais apanhar, estava finalmente me tornando uma adversária a altura dos outros. Percorri com os olhos meu braço nu e notei a saliência dos músculos, eu não era mais a garotinha fraca de antes. 
O sol já havia se posto a um bom tempo, porém eu continuava firme no meu treinamento, mesmo sem saber se aquela atitude era permitida ou não. O campo de treinamentos estava silencioso, fazendo com que minha respiração entrecortada ficasse muito mais alta do que o normal. Suspirei pesadamente e senti o cansaço atingindo meu corpo, decidi encerrar o treinamento da noite, um luxo que agora eu poderia me dar. 
Comecei a desamarrar as faixas dos punhos quando escutei, ao longe, vozes um pouco alteradas. 
- Você achou que ninguém iria perceber? - disse uma voz feminina alto o suficiente para que eu pudesse escutar.
- Fale baixo, não irei pedir outra vez - o homem parecia furioso. 
- Ha ha ha - a risada era sem nenhuma emoção - Como se eu fosse obedecer um traidor. 
Fui tomada pela curiosidade e me aproximei um pouco mais das vozes, ficando logo atrás de uma parede de escalada. O cheiro forte de madeira molhada penetrou minhas narinas, mas me concentrei na conversa das duas pessoas. 
- Quando eu contar o que você está planejando, meu...
A frase da garota parou abruptamente. Apertei os olhos para tentar enxergar o que estava acontecendo, mas não consegui enxergar nada, a escuridão banhava tudo ao meu redor. 
- Shhh... Você não irá contar... 
A última frase foi tão baixa que eu fiquei em dúvida se realmente havia escutado. A verdade é que eu estava me perguntando se a conversa toda tinha realmente acontecido. Eu estava cansada, privada de sono, seria muito fácil plantar acontecimentos falsos na minha mente. Desisti de tentar enxergar as supostas pessoas quando o silêncio reinou novamente. Uma brisa morna envolveu meu corpo, fazendo um arrepio subir pela minha espinha, algo parecia muito errado. Balancei a cabeça, mandando embora os pensamentos indesejados. 
Enrolei as faixas e me dirigi ao banheiro feminino. Dez minutos depois eu já estava trilhando o tão conhecido caminho de volta para o meu dormitório. Caminhei por entre as cabanas numeradas com o pensamento longe. O céu estava limpo, cheio de estrelas. Era fácil notar cada uma delas estando longe das luzes da cidade, mas ao mesmo tempo era difícil olhar para aquela imensidão e não lembrar o quão longe eu estava das pessoas que eu tanto amava. Respirei fundo e segurei algumas lágrimas teimosas. Segui meu caminho até me deparar com um movimento fora do comum. Me agachei entre alguns arbustos e esperei. Vi a silhueta de uma pessoa caminhando cuidadosamente até uma das cabanas, que não estava tão longe do meu esconderijo. A luz da varanda se acendeu e o rapaz abriu a porta com cuidado, mas não sem antes das uma breve olhada para trás, cuidadoso. Meu sangue gelou, não era apenas um rapaz, era Theo, o meu Theo. Havíamos nos visto naquela mesma tarde e ele estava carinhoso e amável como sempre, porém, o homem que eu via agora parecia diferente, desconfiado, até mesmo preocupado. Engoli em seco e  ignorei a vontade de ir correndo em direção aos seus braços. Esperei alguns minutos depois que Theo entrou e peguei novamente o caminho para o meu quarto. 
Eu ainda remoía o acontecimento de antes, me perguntando se havia mesmo acontecido. Porém, o sono logo chegou, fazendo com que eu esquecesse de todos os possíveis problemas. 


* * * 

A voz aflita de Cora penetrou fundo nos meus ouvidos, tornando a missão de ignorá-la impossível. Abri os olhos e avistei duas sobrancelhas unidas. Algo estava errado. 
- Levante Isis! Tem alguma coisa errada! 
Levantei rapidamente e troquei de roupa, Cora já roía as unhas impaciente. Saímos juntas da cabana e avistamos várias pessoas correndo em direção ao campo de treinamentos. Troquei olhares rápidos com a minha amiga e juntas seguimos a multidão. Uma sirene alta começou a soar, fazendo com que todos ficassemos ainda mais preocupados. Agarrei a mão de Cora e a guiei por entre todas as pessoas, mas assim que chegamos perto o suficiente eu me arrependi de ter tido tal decisão. 
O corpo de Jackie se encontrava sem vida e pendurado de uma maneira estranha em uma das barras pertencentes ao equipamento de treino. Levei a mão a boca e arfei, Cora agarrou um de meus braços e apertou com força. Dois homens musculosos chegaram ao corpo de Jackie e o livraram da grossa corda, colocando seu corpo em uma maca e cobrindo-o com um saco preto. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. A suposta conversa da noite passada ocupou minha mente. Será? 
- Estão dizendo que ela se matou - cochichou um garoto ao meu lado - Encontraram uma suposta carta de suicídio no quarto dela. 
Olhei para o rosto jovem e cheio de sardas. 
- Você acredita que tenha sido suicídio? - perguntei sinceramente. 
Alguns segundos se passaram até que ele finalmente respondeu. 
- Não, e você? 
Olhei novamente para o local onde o corpo havia sido encontrado. 
- Eu também não. 

  * * * 

Dois dias haviam se passado desde a repentina morte de Jackie. Agora, com o início das investigações, meu palpite se confirmou: Jackie não havia se matado, ela havia sido brutalmente sufocada até que toda a vida se esvaísse dela e então seu corpo foi pendurado e uma carta foi implantada em seu quarto, dando a entender que havia sido suicídio. Porém, a letra sequer era parecida com a de Jackie, fazendo com que a opção de suicídio fosse rapidamente excluída. 
Não se falava sobre outra coisa no centro, fazendo com que a tarefa de ignorar o ocorrido fosse completamente impossível. Tudo estava confuso demais e o sumiço de Theo não ajudava em nada. Minha mente trabalhava tentando descobrir mais detalhes sobre a noite do ocorrido. Eu lembro da discussão, Jackie sabia de alguma coisa capaz de acabar com a sua vida, ela sabia de um segredo sujo, e o suposto traidor decidiu agir antes que ele mesmo fosse prejudicado. 
A frieza com que ele falava com ela, seu tom ameaçador e baixo, tudo agora fazia sentido, menos uma coisa: quem era aquele homem? Vasculhei mais fundo na minha mente em busca de respostas e  então eu encontrei, mas preferia não ter encontrado. No caminho de volta para o dormitório eu vi Theo entrando em sua cabana, ele parecia incomodado, vigilante, estranho. Naquele momento eu não havia pensado nisso, mas agora estava começando a ligar os pontos. Eu fiquei dez minutos no banheiro e demorei apenas mais dois para chegar perto da cabana de Theo. Doze minutos. Doze minutos eram mais do que suficientes para arranjar uma corda e pendurar o corpo de uma garota inocente. Mas não podia ter sido ele, Theo nunca faria uma atrocidade dessas, mesmo que fosse com alguém com o temperamento de Jackie. Eu tinha plena noção de que os homens dali não eram tão sensíveis, mas também tinha certeza de que nenhum deles era tão sem coração. Ou será que eram? 
Respirei fundo e esfreguei os olhos cansados. Eu não queria acreditar que Theo era o culpado, mas todas as pistas indicavam que o homem por quem eu estava perdidamente apaixonada era um assassino cruel. Meu coração se despedaçou e respirar se tornou uma tarefa muito difícil. Agarrei os lençóis com força e dessa vez não engoli o choro. Chorei por Theo, chorei pelo o que ele representava antes, chorei pelo amor que sentia, chorei por ter sido enganada, chorei por ter destroçado mais uma vez meu fraco coração. 

* * * 

Eu estava evitando Theo com todas as minhas forças, tudo nele agora era estranho e suspeito. O treinamento da tarde foi tenso, deixando meus músculos mais doloridos que o normal. Eu fazia o possível para me concentrar nos exercícios e não olhar para Theo, mas todas as vezes que eu olhava eu notava seu olhar de volta, me analisando, um olhar cheio de dúvidas e tristeza. 
Terminei o treinamento e tomei um banho rápido, me dirigindo rapidamente para o lugar onde eu me sentia mais segura, meu quarto. 
- Isis, uma carta do sargento para você - disse Cora, estendendo o papel amarelado na minha direção assim que adentrei nossa cabana. 
Cora era, mesmo que negasse, uma garota sensível e a morte de Jackie havia mexido muito com ela. Frequentemente ela acordava gritando e dizendo que estava sendo perseguida, aquilo me deixava preocupada, mas eu sabia que minha amiga era forte e que iria superar tudo aquilo juntamente com a minha ajuda. 
Peguei a carta de suas mãos e lhe lancei um sorriso, abri o envelope e passei os olhos pelas letras digitadas. 

"Cara Isis Carter, 
Sua presença foi solicitada no estábulo. Alimente e dê remédios aos cavalos..."

As palavras não acabavam aí, porém era o suficiente para mim. Suspirei e avisei Cora que logo estaria de volta. Calcei as galochas de borracha preta segui para o estábulo. Eu, particularmente, gostava de cuidar dos cavalos, mas naquele momento meu corpo implorava pela minha cama. 
Empurrei a grande porta de madeira e caminhei até o centro do estábulo. O ar ali dentro estava ligeiramente frio, o feno permanecia espalhado pelo chão, mas algo estava errado, os cavalos não estavam ali. Engoli em seco e senti um calafrio percorrer minha espinha. Senti o medo me invadir, porém, permaneci imóvel. 
- Isis. 
A voz havia apenas sussurrado meu nome, deixando ele se espalhar pelo ambiente. Virei cautelosamente e vi Theo se aproximando. O medo foi substituído pelo pânico, aquilo era uma armadilha e eu era a próxima vítima. Como pude ser tão burra? 
- Não chegue perto de mim! - gritei para Theo. 
Ele hesitou por alguns instantes mas continuou avançando. Contornei uma mesa velha e larga, colocando distância entre nós. Começamos uma espécie de "brincadeira" de gato e rato. Eu era o rato. Eu é que iria morrer no final. Theo ostentava um olhar de predador nos grandes olhos e seu maxilar estava trincado. Ele fingiu um movimento e logo avançou na minha direção, conseguindo agarrar meu corpo por trás, me impedindo de correr. O ar deixou meus pulmões e tudo ficou em câmera lenta. Me concentrei na minha força e me lembrei da minha promessa: eu não iria apanhar outra vez, e isso incluía morrer enforcada. A raiva borbulhou dentro de mim e com um golpe bastante conhecido acertei Theo nas costelas. Ele arfou de dor e me soltou por tempo suficiente para que eu fugisse. Corri em direção a porta sem olhar para trás. 
- Você ficou forte - disse ele perto demais de mim. 
Qual era o problema dele? O cara era indestrutível? Poxa, eu esperava ter quebrado pelo menos uma das costelas dele. Cheguei perto da porta e o sentimento de vitória me invadiu, porém, cedo demais. Theo agarrou meu braço com força e segurou meu corpo de encontro ao seu, impedindo meus movimentos. Considerei uma cabeçada, mas temi machucar mais a mim mesma do que a ele. 
- Me solte! 
- Eu só quero conversar! - gritou ele. 
Continuei me contorcendo e por acidente olhei dentro de seus olhos. Theo parecia confuso e machucado, como se meu antigo Theo estivesse de volta. 
- Porque está me tratando assim, Isis? 
Parei de lutar e olhei em volta, procurando por alguma coisa, algo que eu temia estar ali. E estava. Minhas pernas fraquejaram e Theo seguiu meu olhar, arregalou os olhos assim que percebeu a grossa corda pendurada em uma das baias. 
- Você realmente achou... 
Não deixei que ele terminasse de mentir. 
- Eu sei que você matou a Jackie!