E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

sábado, 29 de agosto de 2015

Seduzida pelo Perigo


"Catherine Zimermann levava uma vida normal, sem luxos ou grandes ambições. Após perder os pais e um trágico acidente, não conseguiu impedir que seu irmão Chase, desiludido e revoltado com a vida, partisse de sua cidade natal, deixando-a para trás. Desde então, Cath vive um dia de cada vez, cursando sem pressa a faculdade de psicologia e trabalhando em uma lanchonete de dia, para pagar seus estudos à noite. Até que um telefonema inesperado tira sua rotina dos trilhos.

Chase está com a voz embargada e desesperada; está encarcerado em um presídio na Califórnia, acusado de estupro e homicídio. Cath fica perdida. Apesar de há muito desconhecer o antigo irmão dócil e carinhoso, nunca imaginara que ele fosse capaz de tremenda brutalidade. Então ela segue para Califórnia, decidida a esclarecer tal história, com ânsia de provar que o que Chase alega é a mais pura verdade: ele é inocente. Mas, para isso, Cath precisa encontrar o verdadeiro culpado.

O que fazer quando a verdade que procuramos está bem diante de nossos olhos? O que fazer quando o coração nos trai e nos apaixonamos por quem deveríamos odiar?

A vida não possui um roteiro. O destino sempre pode nos pregar uma peça."

As vidas de Catherine Zimermann  e  de seu irmão Chase viraram de cabeça para baixo logo após o abrupto falecimento dos pais. Chase se tornou rebelde e de mal com a vida, Cath tentava viver um dia após o outro. Até que Chase decidiu ir embora. Cinco anos depois Cath recebe uma ligação de seu irmão, ele está na cadeia, culpado de estupro seguido de assassinato e corre o risco de pegar pena de morte. Cath larga tudo e resolve ajudar o irmão, mesmo sem ter certeza se ainda o conhece. Chegando lá ela descobre que Chase andava com Leonard Clarke, um milionário capaz de tudo para conseguir o que quer. Catherine inicia então a busca pelo verdadeiro culpado, colocando sua própria vida em risco e sendo irresistivelmente seduzida pelo perigo. 

Seduzida pelo perigo foi o primeiro E-book que eu li. Tenho que admitir que no começo fiquei frustrada com toda essa história de livro digital, eu queria gostar de ler pelo computador para que fosse mais prático e eu pudesse ter um maior acesso aos livros. Porém, eu não conseguia encontrar uma história boa, que me cativasse, até que encontrei "Seduzida pelo perigo", da JC Ponzi. 
Desde o início eu me senti atraída pela sinopse, torcendo para que a história fosse tão boa quanto. Para minha felicidade, eu não me decepcionei. JC Ponzi é uma escritora incrível, conseguiu criar uma história e um romance cativantes e apaixonantes. O livro tem um quê de mistério, o que o deixa ainda mais irresistível, e entra na categoria de livros adultos. No entanto, JC conseguiu escrever as cenas de uma maneira um tanto "reservada", evitando palavras muito "grosseiras". Na minha opinião essa estratégia, se é que podemos chamar assim, foi incrivelmente bem executada, conseguindo me deixar muitas vezes com frio na barriga. 
Falando um pouco dos personagens principais: 
Catherine: Cath é uma personagem com personalidade forte e engraçada. Luta pelo o que quer e preza o bem das pessoas que ama. Gostei muito de como JC desenvolveu a mesma, fazendo com que fosse impossível não criar um laço com ela. Porém, a personagem é extremamente teimosa, muitas vezes acabava sofrendo pelo fato de não impedir acontecimentos "catastróficos". 
Leonard Clarke: desde o início eu sabia que iria amar Leonard Clarke. Seu jeito "mau" me cativou no instante em que ele apareceu no livro. É lindo ver seu amadurecimento durante a história, de um cara "sem coração" a um "louco apaixonado". O modo como ele tenta manter o controle sobre tudo e sua inquestionável atração por Cath deram um toque final. Amei Leo do início ao fim. 

O livro mistura humor, romance e mistério de uma maneira perfeita, fazendo com que seja impossível parar de ler. Porém o final não me agradou muito. Eu gostaria de saber o que aconteceu com os outros personagens, gostaria de ver Cath e Leo se apegarem a Nathan, porque achei a relação um pouco distante. Tirando as pequenas, e quase inexistentes falhas, "Seduzida pelo perigo" é uma história perfeita que me cativou do início ao fim. 

Autor: JC Ponzi (escritora brasileira) 
Editora: Dreams house
N de páginas: 282
Avaliação: ✐ 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Quarto vídeo do canal!


Boa noite meus queridos leitores! O quarto vídeo do canal é sobre minha primeira compra na Amazon. Não deixem de dar uma olhada e comentar! 

Link: https://www.youtube.com/watch?v=HnaIjneSAKM

domingo, 23 de agosto de 2015

Sem Proteção - Parte 4

Uma gota de suor traçou caminho da minha testa até a ponta do meu nariz, logo em seguida uma outra percorreu o mesmo caminho. Minhas mãos permaneciam na barra de exercício e a dor já beirava o insuportável, mas eu não iria desistir. Fechei os olhos e respirei fundo. A frase "a dor é psicológica" se tornou um mantra desde que Jackie me atacou, e eu me mantinha firme, focando em apenas um objetivo: nunca mais me sentir impotente outra vez. As dores no corpo e o ódio que eu sentia por aquele lugar não importavam mais. 

Flexionei os braços novamente e puxei meu corpo para cima, ultrapassando a barra de exercício. Todos os meus músculos tremiam e foi impossível conter um gemido de dor. O barulho agoniado chamou a atenção de Theo. Vi seu corpo forte se aproximar de mim. Engoli em seco. Seu rosto ficou a centímetros do meu, deixando clara sua expressão de descontentamento. Parei de respirar e fechei os olhos, não conseguiria ficar olhando para ele. 

- Você não precisa fazer isso - sussurrou Theo.

Abri os olhos confusa e fui surpreendida por seu olhar suave. Um misto de emoções me inundou, dentre elas a raiva. Eu precisa sim fazer aquilo, porque ninguém ali iria me proteger, apenas eu mesma. Bufei em resposta e voltei a flexionar os braços.

- Isis - disse ele de maneira quase suplicante, me fazendo vacilar. 

Soltei a barra e em segundos meu corpo já estava no chão, a risada de Jackie chegou até mim e machucou meu ouvidos, a raiva me dominou. Apoiei as mãos no chão, ignorando a dor que fazia meu estômago se revirar, e tentei me levantar. Porém, antes de conseguir realizar a ação, Theo capturou meu corpo e jogou por cima do ombro. 

- A magrela se machucou com a queda, vou leva-la até a enfermaria - disse Theo, me tirando do sério. 

Jackie soltou outra gargalhada. Me debati e soltei todos os palavrões que conhecia enquanto Theo me carregava como se eu não pesasse nada. Nos afastamos do campo de treinamentos e seguimos em direção às cabanas. Eu não precisava ir até a enfermaria e também não precisava da ajuda de Avery. Continuei socando suas costas até minhas mão doerem, era incrível ele não estar sentindo dor. 

- Não adianta fazer isso, só vai se cansar ainda mais - disse ele calmamente. 

- Eu não preciso que você me carregue, eu sequer estou machucada. Me solte! Eu não quero ir para a enfermaria, seu brutamontes! - gritei. 

- Não estamos indo para a enfermaria. 

A frase me calou. Se não estávamos indo para a enfermaria, aonde estávamos indo? Um arrepio percorreu minha espinha e minha boca ficou seca. Olhei em volta e percebi que nos afastávamos das cabanas, eu não conseguia ter uma visão do que estava a nossa frente e aquilo me assustou ainda mais. 

- Theo - chamei com a voz trêmula - Para onde estamos indo? 

- Pare de fazer perguntas, você fica ótima de boca fechada.

Me indignei com seu comentário e soquei novamente suas costas, arrancando uma risada controlada dele. O som foi como música para meus ouvidos, o que me deixou ainda mais emburrada. Cruzei os braços e esperei. Poucos minutos depois Theo me colocou sentada em um amontoado de feno e ficou alguns passos mais para trás. 

- Estamos em um estábulo? - perguntei olhando em volta. 

- Sim, estamos na parte de trás do estábulo, para ser mais específico - explicou ele. 

Observei o lugar. Ao longe uma cerca delimitava o fim do centro de treinamentos. A grama era de um verde vivo e o campo era aberto, propiciando uma vista maravilhosa das árvores e do céu. Me escorei na parede de madeira velha e suspirei, estar ali era como estar em mundo só meu, longe dos problemas que agora eu enfrentava. 

- É lindo - falei, mais para mim mesma. 

Voltei a fitar Theo e percebi que ele me analisava de braços cruzados. Seu olhar desceu até a minha boca, contornou meu queixou e continuou descendo até minhas mãos, seus olhos se arregalaram e meu rosto se incendiou. 

- Está machucada - disse ele se aproximando e pegando minhas duas mãos. 

Olhei também e vi o que tanto lhe incomodava. Bolhas decoravam as palmas das minhas mãos e elas pareciam estar em carne viva, eu havia sentido dor, mas não sabia que estavam tão ruins assim. 

- Não se preocupe, Avery, vou ficar bem.

Theo largou minhas mãos e fitou meus olhos, seu olhar parecia o de alguém ferido.
- Eu disse que você não precisava fazer aquilo. Você não é forte o suficiente e não está pronta - disse ele severamente - Isis, você viu o quão machucada pode ficar. Aquela surra não lhe ensinou nada, garota? 

Levantei, ficando na altura de seus ombros, e empurrei seu corpo musculoso, que não saiu do lugar. 

- Já chega! Quem você pensa que é?? Estou cansada disso! Eu fui humilhada e já apanhei, você fez alguma coisa para impedir isso? - acusei, batendo em seu peito - Não! Não fez! Então não me venha com essa história de que eu não preciso fazer isso, porque eu preciso! Eu vou treinar e vou mostrar para vocês que não deveriam ter mexido comigo. Eu vou me proteger, já que você não é corajoso o suficiente para fazer isso! 

Seu rosto enrubesceu de raiva e seus punhos se fecharam. Engoli em seco. Xingar Theo não havia sido uma ideia inteligente. Avery agarrou meus braços com força e me empurrou contra a parede de madeira. Meus pés afundaram no feno e meu coração afundou no peito. Eu estava com medo, estava apavorada. Fechei os olhos e esperei pelo inevitável. Mas antes de conseguir evitar, o impensável aconteceu. 

- Você é impossível! - as palavras de Theo vieram carregadas de emoções que eu já conhecia: raiva, confusão, paixão. 

Abri os olhos a tempo de ver seu rosto se aproximando. Seus lábios se chocaram contra os meus, fazendo com que arrepios descessem pelas minhas costas. No começo a surpresa me paralisou, mas logo o beijo foi se tornando cada vez mais urgente. Seus braços puxavam minha cintura e minhas mãos passeavam pelo seu pescoço. Naquele instante tudo desapareceu, tudo fez sentido. Os sentimentos confusos que eu tinha eram os mesmos que os de Theo. Um pedaço da muralha que cercava meu coração se desfez, me deixando um pouco mais vulnerável. A brisa suave balançou meus cabelos e envolveu nossos corpos. Seu cheiro de alfazema chegou até mim e perturbou meus sentidos. Era bom demais para ser real. Era perfeito demais para ser humano. Mas ele era, e estava ali, a um suspiro de mim. Nos afastamos com dificuldade e Theo segurou meu rosto com as duas mãos. 

- Me desculpe, mas eu precisava fazer isso. 

- Não se desculpe, Theo. 

Seu olhar brilhou e um sorriso se formou em seus lábios. Ele era ainda mais lindo sorrindo.

- Gosto quando você me chama de Theo. Avery é distante demais, algo que eu não quero de você. 

Foi a minha vez de sorrir. As borboletas dançavam animadas no meu estômago e naquele momento, olhando para o rosto de Theo, eu percebi que o inevitável havia acontecido: eu estava me apaixonando por Theo Avery. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Sem Proteção - Parte 3

Dois dias haviam se passado desde o humilhante ocorrido e meu rosto era uma prova constante disso. Dois dias e ninguém havia dirigido uma palavra a mim. Dois dias e a solidão já começava a bater na minha porta.

TOC TOC

Pulei assim que escutei as batidas na velha porta de madeira. Talvez eu devesse parar de falar dessa tal de solidão. Levantei da cama e ajeitei inutilmente minha blusa amassada. Já era final de tarde e o dia havia sido extremamente cansativo. Quem quer que fosse teria que ter uma boa explicação para estar ali. Abri a porta calmamente e um vento morno soprou meus cabelos. Uma garota, que devia ter a mesma idade que eu, estava parada na entrada acompanhada de duas malas. Seu corpo era atlético, os ombros largos, o cabelo era tão negro que parecia azul e sua pele era escura como a terra. Eu sabia o que ela estava fazendo ali, seria minha colega de cela.

- Olá, meu nome é Cora Moore - disse ela estendendo uma das mãos.

- Eu sou Isis Carter - respondi o cumprimento.

- E então, já tomou conta do quarto ou tem espaço para mais uma?

Seu sorriso me fez relaxar. Olhando bem, ela parecia ser uma boa pessoa. Afastei o mau humor e decidi que faria uma aliada naquele lugar.

- Claro que tem espaço para você - falei sorrindo - Mas tenho que admitir que pensei que me deixariam sozinha aqui.

Dei alguns passos para o lado, deixando Cora entrar no nossa cabana. O lado dela permanecia intacto, apenas uma fina camada de poeira cobria seus móveis. Minha nova colega de quarto largou suas malas e abriu a janela, deixando a brisa entrar. Assim que senti o vento, o barulho de espirro chegou nos meus ouvidos.

- Desculpe, sou alérgica a poeira - disse ela fungando.

Sorri com a confissão, percebi que ela não era indestrutível, como todos os outros aparentavam ser. Ela parecia mais... humana. Com passos calmos me dirigi até o armário central, peguei um dos panos de limpeza e umedeci. Depois disso passei em todos os móveis, até mesmo nos meus.

- Muito obrigada, Isis - agradeceu ela, sorrindo.

Assenti, já virando de costas e voltando para o meu lado do quarto, mas assim que passei pela porta uma segunda batida me alertou, fazendo com que meu corpo se arrepiasse. Abri apenas uma pequena fresta.

- Olá, Isis.

A voz grave fez meu estômago se agitar. Theo escondia as mãos nos bolsos, seu cabelo levemente bagunçado tocava os olhos, ele usava uma calça verde-militar e uma blusa branca, que se ajustava em seus músculos. Seus olhos não desgrudavam dos meus, como se ele me analisasse. Me amaldiçoei por ficar tão desconcertada em sua presença. Theo Avery não era bom e eu não deveria, nem queria, ter qualquer sentimento ou sensação boa sobre ele.

- Avery - falei assentindo com a cabeça, a menção de seu sobrenome fez com que seus olhos escurecessem e seus punhos se fechassem - Gostaria de alguma coisa, senhor?

Permanecemos com os olhos um no outro, em silêncio, a tensão se tornando palpável.

- Vim aqui ver sua nova companheira e dar todas as instruções necessárias.

Abri espaço para que ele passasse e fechei a porta assim que ele adentrou o quarto. Me dirigi até a cama e sentei, apenas observando.

- Boa noite, Cora Moore - saudou Theo.

- Boa noite, senhor - disse ela, quase em posição de sentido.

- Bem- vinda ao Centro de Treinamento. Percebi que já conheceu sua colega de quarto, ótimo.

Prestei atenção em Theo durante toda a explicação. Seus braços fortes se cruzavam atrás das costas, deixando uma visão clara de suas mãos. A camiseta apertada se ajustava aos seus músculos, não deixando quase nada para a imaginação. Se nosso histórico não fosse aquele e Theo tivesse se mostrado um homem digno, provavelmente eu estaria totalmente encantada por ele. Porém, aquele não era o caso. Avery repetiu todas as informações que eu havia escutado no primeiro dia. Era como se tudo estivesse acontecendo novamente e o estresse me atingiu em cheio. Suspirei cansada, chamando a atenção dos dois. Theo novamente me fitou, dessa vez preocupado.

- Descansem bem esta noite, amanhã começaremos um treino mais intenso. Bom descanso - disse ele se despedindo.

Desviei o olhar e comecei a brincar com um fio solto do meu cobertor. Assim que a porta se fechou Cora suspirou, como se tivesse visto o mais lindo dos Deuses.

- Seu eu soubesse que existem homens tão irresistíveis aqui, eu teria vindo bem antes - disse ela abanando a si mesma.

Não pude deixar de rir de sua encenação, mas no fundo eu sabia que apesar de lindos eles eram perigosos, como plantas carnívoras.

- Boa noite, Cora.

- Boa noite, Isis.


* * * 


O som irritante do auto-falante começou a tocar, fazendo com que eu desejasse ter uma arma para poder estilhaçar aquele objeto abominável.

- O que está acontecendo? - perguntou Cora com a voz visivelmente irritada.

- Hora de levantar.

- É sempre assim?

- Esse inferno? - arrisquei dizer - Sim.

Levantei da cama e me arrastei até a cômoda. Peguei uma muda de roupas e segui para o banheiro compartilhado. Cora veio logo atrás.

Um relógio gigantesco situado em uma das pontas do campo indicava oito horas da manhã. Redes, colchões, cordas, armações de madeira e arames eram alguns dos obstáculos distribuídos pelo campo. Engoli em seco, aquele dia estava prestes a piorar.

- Bom dia recrutas - gritou Avery - Como podem ver, hoje será um dia bastante... diferente para vocês. Iniciaremos o treinamento um pouco mais pesado. E mais uma informação: a partir de hoje eu terei uma auxiliar. Jackie, pode vir.

Meu coração parou por alguns segundos. Minhas mãos suavam e eu sentia como se fosse sufocar.

- Bom dia recrutas - disse Jackie com um humor sombrio.

Todos responderam em uníssono, menos eu. Os cabelos negros de Jackie estavam presos em um rabo de cavalo, mas mesmo assim chegavam até o meio das costas. Ela usava a mesma roupa que todos nós ali, uma calça bege e uma camiseta verde musgo. Seu corpo era de dar inveja, mas sua personalidade podre era tudo o que eu conseguia ver.

- Muito bem, quero que respeitem Jackie como respeitam a mim - sem chances, pensei - Cuidaremos duplamente de tudo o que fizerem. Hoje vocês farão um circuíto.

- Não parem, mesmo se estiverem cansados, quero resistência aqui! - gritou minha atual inimiga - Comecem!

Revirei os olhos e iniciei o circuíto.

- Boa sorte, Cora - disse para minha nova amiga.

- Boa sorte, querida - disse ela sorrindo.

* * *

Uma hora havia se passado e meus músculos gritavam por piedade. Minha pele estava levemente arranhada pelo arame farpado, minhas roupas agora possuíam a cor marrom, meus cabelos formavam nós e meu corpo todo doía. Eu não aguentava mais. Precisava de água. 

- Senhor Avery, permissão para tomar água? 

Theo permanecia com os braços cruzados na frente do corpo, ele me olhou de cima a baixo e um brilho passou pelo seu olhar. Mas assim como apareceu, sumiu. 

- Se estivermos em uma batalha você não poderá simplesmente parar o que está fazendo para pedir água. Isso é ridículo, magrela - disse Jackie com a voz carregada de desprezo. 

Seus olhos me examinaram, os braços estavam cruzados como os de Theo e uma das suas sobrancelhas permanecia arqueada, como se ela me desafiasse. Resolvi mostrar que eu também tinha garras. 

- Pelo o que eu saiba nós não estamos em uma batalha. Até por que se estivéssemos você não ficaria parada aí com essa pose.

Jackie arregalou os olhos e seu rosto passou para um tom avermelhado. 

- Como ousa... 

- Parem! As duas! - gritou Theo irritado - Isis, vá tomar água. Jackie, se controle. 

Saí dali o mais rápido possível, mas orgulhosa de mim mesma. Talvez aquilo tivesse sido burrice, mas foi uma burrice extremamente prazerosa. Sorri, eu não havia ganhado a guerra, mas pelo menos venci uma batalha. 

Cheguei no banheiro e ataquei o bebedouro. Minha sede era tamanha que fiquei vários minutos sorvendo a água. Assim que me dei por satisfeita resolvi limpar um poco a sujeira do rosto. A água fria aliviou meu calor e me deixou mais relaxada. Fechei a torneira e endireitei o corpo, assim que olhei meu reflexo no espelho o corpo de outra pessoa me assustou. 

- Você deveria saber que não tem que se meter comigo.

Antes que eu pudesse reagir Jackei segurou meu rabo de cavalo com força e bateu meu rosto contra o espelho. Senti a visão vacilar, assim como as minhas pernas. Um filete de sangue escorreu da minha testa em direção ao meu olho. Eu permanecia em pé. Jackie, que era bem mais alta e forte que eu, segurou meus ombros e me levou de encontro à parede, fazendo a parte de trás da minha cabeça bater contra os azulejos, novamente a tontura me atingiu, porém, dessa vez meu corpo desabou no chão frio. Me enrolei em posição fetal assim que senti o primeiro chute. A dor foi tanta que sequer consegui gritar, me faltava ar. Mais alguns chutes e eu temia perder a consciência.

- Espero que isso faça você aprender a lição, magrela. 

Ao terminar a frase ela cuspiu no chão bem perto do meu corpo e saiu, me deixando incapaz até mesmo de gritar por socorro.  As lágrimas começaram a escapar dos meus olhos, boa parte por causa da dor que eu sentia. Meu olho estava coberto pelo meu próprio sangue, me deixando sem a visão. Tentei me levantar, mas meu corpo tombou no chão, sem forças. 

O som de passos apressados chegou aos meus ouvidos, desejei que você ajuda. 

- O meu Deus, Isis! - a voz doce de Cora me acalmou - Quem fez isso a você?!

Cora parecia aflita demais, realmente preocupada comigo. 

- Jackei - sussurrei. 

- Venha, eu te ajudo a levantar. Precisamos ver se você não quebrou nada. 

Antes que minha amiga encostasse em mim uma segunda voz se mostrou presente. 

- Não podemos contar quem fez isso - Theo, era ele - Diga que não viu quem foi. 

Eu não pude acreditar no que estava ouvindo, ele só podia estar brincando. Eu tinha acabado de apanhar e ele estava mais preocupado com a Jackie ser culpada. Reuni as últimas forças que tinha, juntei com o resto de dignidade e me levantei, apoiada em Cora. Olhei para Theo com desprezo e decepção. 

- Não se preocupe, Avery - cuspi seu nome - Sua queridinha está salva, não direi que ela abusa de sua autoridade e não merece esse cargo. Fique tranquilo. 

Minha voz saía de mim com tanto ódio que até mesmo o corpo de Cora ficou rígido. A expressão de Theo se tornou agoniada, como se ele estivesse extremamente triste e derrotado. 

- Me desculpe Isis - disse ele se aproximando. 

- Não chegue perto de mim, você já fez o bastante, senhor - a última palavra saiu com desdém. 

Me apoiei em Cora e juntas nos retiramos do banheiro. Iríamos direto para a enfermaria. 

- Daqui para frente eu nunca mais irei apanhar sem revidar. Isso é uma promessa Cora, guarde minhas palavras. 

Aquele dia foi a gota d´água. Eu iria me transformar no pesadelo daquelas pessoas.




domingo, 2 de agosto de 2015

Preconceito com E-book é o assunto do novo vídeo do canal!

Boa noite!! Eu fiquei muito feliz com resultado do primeiro vídeo do canal. Fiquei tão empolgada que já gravei outro. Não perde esse segundo vídeo lá no canal! 

Link: https://www.youtube.com/watch?v=LmhbcJAiMks

sábado, 1 de agosto de 2015

PRIMEIRO VÍDEO NO CANAL!

Há um tempo atrás eu decidi que iria fazer um canal no youtube. Fiz vários vídeos, desisti algumas vezes e finalmente consegui postar o primeiro vídeo! Nele eu falei sobre como começou o meu amor por livros e sobre meus livros favoritos. Então, convido vocês a assistirem o primeiro vídeo! Não esqueçam de curtir, comentar e compartilhar. Espero que gostem! 


Link: https://www.youtube.com/watch?v=ywOFh4Ddlmc