E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

NÃO PARE!

"Nina Scott não suportava mais a vida nômade e solitária que sua mãe, Stela, a obrigava a ter. Mudar de cidade ou de país a cada piscar de olhos, conviver com tantas perguntas que a consumiam, assombrada por mistérios de um passado guardado a sete chaves. Agora, aos 16 anos, a garota das estranhas pupilas verticais exigia respostas. 
E, para sua péssima sorte, elas já estavam a caminho! 
Quando Stela decide ficar em Nova York, Nina acredita que seu sonho de ter uma vida normal vai se tornar realidade. Finalmente terminará o ano letivo em um mesmo colégio, poderá fazer amigos sem ter que abandoná-los em seguida, viver um grande amor, amadurecer, criar raízes... Enfim, curtir a juventude.
Mas o “normal” está muito longe da vida de Nina!
Perdida no olho de um furacão de mortes e inexplicáveis acidentes, tendo que esconder os terríveis fatos da mãe paranoica, Nina começa a desconfiar da própria sanidade mental, de tudo e de todos. O que explicaria os paralisantes calafrios, a perda de visão e de memória que experimentava sempre que alguém morria ao seu redor? O que ela teria a ver com os bizarros e sobrenaturais acontecimentos? Estariam eles interligados?
Seria a Morte sua companheira para toda a vida?
É chegada a hora da verdade."


Tudo o que Nina queria era uma vida normal, mas estranhos acontecimentos tornaram essa tarefa impossível. Tonturas, perda de força, perda da consciência, mortes estranhas e um misterioso garoto cheio de cicatrizes começam a atormentar a vida de Nina. Depois que um terrível acontecimento, Nina é levada para longe e se vê em um inferno na Terra. Sua sanidade é constantemente testada e ela começa a temer por sua vida. Uma nova dimensão. Paixão. Desconfiança. Medo. Flertar com a morte pode ser algo extremamente perigoso...

"Para se sentir vivo, você entregaria sua vida nas mãos da morte?"


Boa noite queridos leitores! É com muita animação que venho falar sobre esse livro. Há um tempo atrás a FML Pepper (autora de NÃO PARE!) veio falar comigo, agradecendo o meu interesse pelo livro. Fiquei muito feliz por ela vir falar comigo e minha vontade de lê-lo se tornou maior. Porém, para ser sincera, eu não estava colocando muita expectativa na história, não imaginei me apaixonando por ele. Erro meu. O livro me atingiu em cheio! E foi aí que eu entendi o porquê de NÃO PARE! ser um best-seller da Amazon. 
FML Pepper foi incrivelmente criativa com a sua história e escreveu de uma maneira que envolve o leitor. Devorei o livro em dois dias. A narrativa é envolvente e rica em detalhes, porém, algumas cenas de ação ficaram um pouco confusas, algumas vezes era complicado imaginar a cena e eu me via obrigada a voltar e reler. 
O romance presente é totalmente apaixonante e de tirar o fôlego, durante a leitura era como se borboletas dançassem em meu estômago (não, não era fome) e minhas mãos suassem de nervosismo. 
FML Pepper escreveu de maneira maravilhosa. As cenas não eram demoradas e enroladas, o que deixou a leitura ainda mais prazerosa. A história me lembrou do livro "Sussurro", um de meus preferidos, fazendo com que FMl entrasse com estilo na minha lista de melhores escritoras. 

"Meus olhos ardiam, mas não haviam lágrimas. Seca. Desértica por dentro."

Falando um pouco dos personagens

Nina - FMl Pepper desenvolveu Nina muito bem. Não é uma garota bobinha que não se toca de nada, ela é uma garota romântica e forte. Gostei dela desde o início.

Richard - No estilo bad boy, Richard me conquistou desde o começo. Seus olhos azuis me lembraram "A maldição do tigre"  e sua personalidade e comportamento trouxeram a lembrança de "Sussurro". Ele é incrível e apaixonante. É impossível não esperar ansiosamente que ele apareça nas cenas. Richard foi desenvolvido com perfeição.

"Como a morte poderia ser tão bela? O certo seria que ela fosse horripilante, como nos filmes de terror."

NÃO PARE! já faz parte dos meus livros favoritos. Mal posso esperar para ler a continuação! 

Autor: FML Pepper
Editora: Valentina
N° de páginas: 277
Avaliação: ✐ 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Amor não tem Leis

"Alexandre Ferraz é um renomado advogado criminalista apaixonado pelo que faz. Além do sucesso inquestionável na carreira jurídica, também usufrui do impacto devastador que provoca nas mulheres a sua volta. E com a sua nova estagiária Maria Clara não seria diferente. 

Recém-chegada de uma temporada fora do país, quando acompanhou o então namorado e cantor pop Dereck Mayer em turnê pelo mundo, a estudante de Direito está determinada a cumprir as horas de estágio para finalmente ganhar o diploma, nem que para isso tenha de resistir aos hipnotizantes olhos azuis do dr. Ferraz. Assim como o seu chefe, a jovem leva uma vida descompromissada, curtindo o sexo oposto sem romantismo ou grandes demonstrações de afeto. 

O amor não tem leis traz a arrebatadora história de um homem e uma mulher que buscam, acima de tudo, o prazer, mas que quando colocados frente a frente terão de aprender a lidar com sentimentos até então desconhecidos para eles. O que esperar desses dois? O amor será capaz de transformá-los? " 

Conteúdo Adulto

Clara consegue estágio em um escritório de advocacia, sem saber que aquilo mudaria totalmente sua vida. Chegando lá ela tenta ao máximo resistir aos encantos de seu maravilhoso, e galinha, chefe, porém, acaba sendo inevitável a atração entre os dois. Alexandre acaba se apaixonando por sua funcionária e acaba se tornando uma pessoa que ele jamais imaginou que fosse ser. Mas o que ele não sabe é que Clara esconde segredos sobre seu passado e que ficar com Clara pode ser uma ameaça a vida dela. Nunca foi tão fácil, e tão difícil, se apaixonar. 

Depois de ler (e amar) o livro 8 segundos, da Camila Moreira, resolvi ler seu outro livro "O Amor não tem Leis". Assim que li a sinopse do livro fiquei extremamente decepcionada, parecia que o livro seria uma cópia brasileira de "50 Tons de Cinza", mas decidi que leria mesmo assim. 
O início da história não me agradou muito. Ambos os personagens principais (Alexandre e Clara) eram extremamente seguros de si (até demais) e parecia que os hormônios é que estavam comandando tudo. Porém, assim que cheguei no meio do livro foi impossível largar. 
A escritora Camila Moreira se dedicou bastante as cenas, o que foi bastante satisfatório, e incluiu mistério na história, deixando irresistível. Camila conseguiu trabalhar também com assuntos como homofobia, me deixando bastante satisfeita. Podemos dizer que o livro em si não tem "papas na língua", ou seja, pode incomodar alguns leitores, mas é ótimo para quem gosta desse tipo de história. 
O livro é divido entre a narrativa de Clara e Alexandre, mostrando o ponto de vista de cada um deles. Na minha opinião esse tipo de livro fica muito mais interessante quando mostra ambos os pontos de vista, por isso adorei ler. O relacionamento dos dois foi se desenvolvendo ao decorrer da historia, e Camila conseguiu mostrar o crescimento dos dois personagens.Algo que me incomodou é que não é apenas um livro, e sim, dois. Portanto, o primeiro livro acaba em um "desastre", nada da certo e os acontecimentos propiciam lágrimas e mais lágrimas. O mistério continua, fazendo com que a leitura do segundo livro seja quase obrigatória. 
Confesso que empaquei no meio da leitura, irritada com o fato de tudo dar errado, mas decidi ir em frente e não deixar de ler.  

Falando um pouco dos personagens principais:

Clara: uma garota segura de si, nada inocente e cheia de medos. Foi muito bom ver o desenvolvimento de Clara, que conseguiu mostrar seu amor. Camila acertou na hora de fazer essa personagem, deixando de lado o clichê de mocinha e colocando uma mulher cheia de atitude. Adorei. Porém, achei a Clara muito enrolada, parecia que ela fazia de tudo para se afastar de Alexandre e foi a mesma coisa até o final do livro. 

Alexandre Ferraz: o lobo mau em pessoa (até se apaixonar e se transformar em um lindo cachorrinho), foi apaixonante ver a passagem de um homem quase sem sentimentos para um que não conseguia viver sem a Clara. Ele se mostrou sensível e encantador. É muito difícil não se apaixonar por ele. Camila acertou em cheio! 

Por fim, cheguei a conclusão de que Camila Moreira conseguiu me encantar novamente. "O Amor não tem Leis" conseguiu conquistar meu coração. 


Autor: Camila Moreira
Editora: Suma de Letras
N° de páginas: 285
Avaliação✐ 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Conhecendo escritoras nacionais

Boa noite meus queridos leitores! Hoje eu participei do Semana Do Livro Nacional que aconteceu no Arco da Velha. Lá eu tive o prazer de conhecer escritoras que já publicaram alguns livros e de diferentes formas (como pela Amazon). Conheci a Raquel Machado (escritora de Vingança Mortal), a Ana Júlia Poletto (escritora de Corpos para um vitral) e a Greice Martinelli (autora de Fiat Voluntas Tua). A palestra foi incrível e me deixou ainda mais animada com o mundo literário e com todas as possibilidades que temos. 

Falando um pouco sobre os livros que conheci: 

 Vingança mortal: Ao receber uma ligação sobre a morte de sua melhor amiga, Brenda volta a sua cidade natal, Lageado Grande. Lá ela vai ao velório de Nicole, onde encontra seu rosto marcado por facas. Uma dúvida surge: será que realmente foi um acidente como todos falam?

Ao voltar para casa algumas pistas aparecem, e Brenda fica obstinada a investigar a morte de Nicole. Ela decide então voltar as suas raízes. Porém, o tempo parece ter mudado muitas coisas, inclusive as pessoas que ela imaginava conhecer.

Envolvida em uma rede de intrigas, dinheiro, drogas e traição, ela se vê prestes a montar um quebra-cabeça, onde cada peça parece se encaixar com extrema exatidão. E a solução para esse mistério, pode revelar um segredo escondido há muito tempo.

Raquel Machado é formada em ciência da computação e demonstra amor pela literatura desde pequena. Ela mora em Caxias do Sul com os pais e quatro cachorros e publicou Vingança Mortal ano passado pela Amazon. A Raquel é muito simpática e querida, foi um grande prazer conhecê-la. Acredito que seu livro seja incrível, mal posso esperar para ler!



 Fiat Voluntas Tua: tradução para o latim de Seja Feita Vossa Vontade, procura explorar as contradições entre o sagrado e o profano existentes nos conflitos internos de anjos e demônios dentro de cada um de nós.Tais personagens, muitas vezes estereotipadas de forma maniqueísta, tiveram seus devidos potenciais supridos em suas forças, profundidades e até mesmo ambiguidades.

Com a intenção de suprir essa lacuna, a Editora Multifoco elaborou uma antologia que aborda a fundo a alma desses seres, ao mostrar que eles também sofrem de conflitos internos e, às vezes, deparam-se com situações que coloca em xeque a cega fidelidade com que seguem seu Criador.

No fogo cruzado desse conflito, quando anjos e demônios são contaminados por dúvidas, não seriam anjos e demônios peões de mesmo valor, separados apenas pelo lado do tabuleiro? Este é apenas um dos questionamentos de um livro que, acima de tudo, provoca reflexão.

Greice Martinelli é bacharel em ciências biológica e mestre em geociência/paleontologia. Sempre foi apaixonada por livros e publicou sua primeira ficção (Fiat Voluntas Tua) em 2009, como um conto de Redenção. Seu livro é um romance e foi escrito em conjunto com outros escritores. Greice é uma pessoa muito interessante e simpática. Estou ansiosa para ler seu livro!



 Corpos para um vitral: Puxe uma cadeira e sente. Melhor: vá para a cama, ajeite os travesseiros e recoste com toda calma.
Elimine a pressa, os pensamentos velozes: não quero isso. Se tiver coragem, encomende um caixão, deite nele, entre velas e suspiros. Respire fundo. Não, não morra. Não ainda. Prevejo uma vida muito longa para você. Por que o caixão? Porque não quero pressa. Quero que você deixe até a morte de lado, ou dentro, ou com você. Quero seus olhos só para mim, minha é agora sua atenção, sua vida me pertence. Mas não utilize como parâmetros o meu longe-perto-longo-curto, porque meu tempo é outro.

Ana Júlia Poletto sempre foi apaixonada pela escrita e é mestre em Teoria Literária. Foi a Ana que deu a palestra e ela se mostrou extremamente sábia e apaixonada. Amei escutar suas palavras e me senti inspirada. Obrigada Ana por compartilhar uma parte do seu conhecimento!


Sem Proteção - Parte 2

O caminho até o centro de treinamentos foi longo, mas não longo o bastante. Me sentei na última fileira de bancos do caminhão, ao lado da janela, envolta em solidão. Durante todo o caminho eu me concentrei apenas em meus pensamentos e evitei escutar o burburinho e as piadas que se propagavam pelo caminhão. Quando chegamos ao centro fomos designados a cabanas simples, com lugar para duas pessoas. Cada cabana possuía um número e elas eram dispostas em fileiras, uma atrás da outra. Minha cabana era feita de madeira e dentro dela haviam duas camas, duas cômodas com várias gavetas, um armário com cobertores extras e um pequeno aquecedor. Escolhi um lado do quarto e me deitei na cama, abraçando meu próprio corpo, sequer desfiz minha mala. como se a qualquer momento eu pudesse ir embora, como se a qualquer momento alguém entrasse na cabana e dissesse que aquilo havia sido apenas um engano. Mas ninguém entrou, ninguém me buscou. Eu estava sozinha naquele lugar. E foi naquele momento que eu me permiti chorar. Toda a frustração e o medo saíram em forma de lágrimas. Adormeci me lembrando do passado e tentando bloquear o futuro. 

"Atenção! Todos os recrutas se apresentem imediatamente ao centro do acampamento. Atenção! Todos os recrutas se apresentem imediatamente ao centro do acampamento."


A voz masculina vinha de um pequeno auto falante instalado no canto da cabana. Era tão alto que a tarefa de ignorar se tornou impossível. Me levantei, sentindo a cabeça pesada, e me dirigi até o tal centro. Não foi difícil encontrar. Haviam muitos recrutas, todos com a mesma idade que eu.


- Formem filas, recrutas - gritou um homem alto, musculoso e moreno.


Vários "companheiros" me empurraram e começaram a formar filas. Me dirigi para o final de uma delas. Olhando em volta pude perceber o quão errado era estar ali. Todas as pessoas, sem exceção, eram fortes e disciplinadas. Eu sequer sabia o que estava fazendo ali.


- Bem-vindos - disse um homem com um pouco mais de idade - Meu nome é Anthony Andrea, mas para vocês é Sargento Andrea.


- Que ótimo, nosso sargento tem nome de mulher - cochichou um garoto da fileira ao lado, fazendo com que algumas pessoas rissem baixinho.


- Há algo engraçado, recrutas? - peguntou o Sargento Andrea.


- Nada, senhor - disseram todos ao mesmo tempo.


- Todos vocês se dirijam para a cozinha, irão descascar as famosas batatas. E da próxima vez pensem bem antes de rir do seu Sargento! - gritou o Sargento Andrea.


Todo o meu corpo estremeceu. O medo invadiu cada célula do meu corpo.


- Mais alguém deseja se juntar a eles? - perguntou - Muito bem, assim é melhor. Todos vocês foram designados a uma cabana com um número, não se esqueçam desse número. Alguns de vocês ainda não possuem um companheiro de "cela" - disse o Sargento, rindo da própria piada - Não se preocupem, eles irão chegar ainda nessa semana. Agora escutem com atenção como as coisas vão ser. Temos um toque de recolher, todos deverão estar em suas cabanas às dez horas da noite. Os banheiros são compartilhados, portanto as mulheres poderão tomar banho das 5 às 6 da manhã e das 7 às 8 da noite. Os homens poderão tomar banho das 4 às 5 da manhã e das 8 às 9 da noite. Respeitem esses horários. A refeição da manhã é servida às 6 horas e a refeição da noite é servida às 9 horas. Cada um de vocês receberá uma tarefa, que por enquanto será apenas treinamento básico, para fortalecer os  músculos e criar resistência. 


Olhei para meus braços, eram muito finos. E eu não tinha nenhuma resistência.


- Vocês terão um tempo no meio da tarde para um lanche - continuou ele - E um último aviso: nós não aturamos desrespeito e falta de disciplina, todos aqueles que descumprirem alguma regra irão  sofrer as consequências. Muito bem, vocês se dividiram em filas, cada fila terá uma espécie de mentor que irá ser responsável pelas atividades que vocês farão. Obedeçam seu mentor. E lembrem-se: "Aquele que nasceu para servir sempre será lembrado." 


Assim que terminou de falar o Sargento se retirou, deixando cada fila com um mentor. Espiei o início da minha, tentando enxergar meu mentor. Assim que o vi meu coração parou. Aquilo só podia ser brincadeira, uma piada. Tinha que ser justamente o garoto com quem eu havia discutido. A fila começou a andar, nos dirigimos até um campo aberto cheio de equipamentos.


- Bom dia, recrutas. Meu nome é Theo Avery, seu mentor. Estou com seus uniformes e suas correntes de identificação, podem pegar assim que eu permitir. Somos o menor grupo do campo, mas não vou tolerar preguiça e frescura. Hoje começaremos com corrida. Quero ver quantas voltas vocês conseguem aguentar. Façam uma fila para receberem seus pertences. 


Como de costume eu era uma das últimas, mas sequer queria estar naquela fila. Todos pegavam seus uniformes e iam em direção ao banheiro. Eu torcia para que os banheiros fossem em cabines, estar ali já era ruim, mas ter que trocar de roupa na frente de vários marmanjos seria muito pior. 


- Nome - disse Theo para mim, tentando disfarçar o sorriso debochado. 


- Isis Carter - falei seca. 


- Isis Carter... Que mundo pequeno, não acha? - cochichou ele, achando graça. 


- Não enche - bufei, arrancando meus pertences de seus braços. 


Talvez eu não devesse tratar "meu mentor" daquele jeito, mas eu não consegui me conter, Theo Avery me tirava do sério. Para o meu alívio o banheiro tinha cabines, pelo menos isso. Vesti o abrigo, calcei os coturnos, prendi os cabelos em um rabo de cavalo e coloquei a corrente com o meu nome. Segui os demais recrutas e todos voltamos para o campo. Eu com certeza me destacava no grupo, mas não de uma forma positiva. Minha pele era muio branca, meus cabelos eram compridos e de um castanho claro, eu não passava de um metro e 60 centímetros de altura e meu corpo era fraco e muito magro. Conseguia perceber os olhares dos outros sobre mim, mas permaneci de cabeça erguida. 


- Comecem a correr, recrutas. No mínimo dez voltas! - gritou Theo. 



Todos começamos a correr e por alguns segundos eu cheguei a pensar que conseguiria correr as dez voltas. Me enganei redondamente. 

❇ ❇ 

Deixei meu corpo cair na grama. Eu não havia conseguido fazer as dez voltas, mas pelos menos umas oito eu completei. Ou não. Meus pulmões não se expandiam o suficiente e eu me sentia meio zonza. Todo meu copo parecia formigar. 


- Estão dispensados. O resto da tarde será reservada para que se conheçam. Nos vemos amanhã, recrutas.


Levantei com dificuldade. Eu iria deitar na minha cama e esperar até a hora do banho. Não iria reservar tempo nenhum para a "confraternização" deles. 



❇ ❇ 

O relógio marcava dez horas em ponto. Todas as luzes se apagaram. Eu estava de banho tomado e o sono logo chegou. Eu já não aguentava aquele lugar, talvez eu começasse a marcar riscos na minha cama, contando os dias naquela "prisão".



❇ ❇  

- Acorda recruta preguiçosa! Está na hora da iniciação! Não achou que se livraria dessa, achou? - disse uma voz feminina, a mulher logo arrancou minhas cobertas. 


Consegui olhar a hora antes de ser arrastada para fora. Ainda eram duas da manhã. Eu torcia para ser um pesadelo. Assim que cheguei na porta fui empurrada para o chão. Levantei rapidamente e avistei todos os recrutas. Todos nós estávamos de pijama e com cara de assustados. 


- Para o campo, recrutas! - gritou um homem. 


Todos corremos em direção ao campo de treinamentos. Eu não estava gostando nada daquilo. 


- Formem filas e tirem as roupas. 


Aquilo só podia ser brincadeira, e uma de mau gosto. Os recrutas logo obedeceram, mas eu não consegui me mexer, não conseguia simplesmente me despir na frente daquelas pessoas. 


- Você! - disse um homem apontando para mim - Comece a tirar as roupas. Agora!


Meu corpo não obedecia, apenas tremia descontroladamente. O homem se aproximou e me puxou pelo braço. Seu aperto era forte e me machucava. Tentei permanecer no lugar, mas foi em vão. 


- Parece que temos um problema aqui - disse ele me expondo para todos - Essa recruta acha que pode ir contra as regras. 


Com o canto do olho avistei Theo, seu rosto estava sério, ele parecia bravo. 


- Tire as suas roupas - ordenou o homem que havia me arrastado até ali. 


Todos estavam em silêncio, apenas esperando o que eu iria dizer. Balancei a cabeça em negativa. 


- Tira as suas roupas, magrela! - gritou o homem. 


Assim que ouvi o apelido a raiva me dominou. Estufei o peito. 


- Não. - falei entre dentes. 


- O que disse? - perguntou ele agarrando meu rosto e me fazendo olhar para ele. 


- Eu disse não - repeti menos segura. 


O homem apertou ainda mais meu rosto, fazendo com que um grito escapasse pela minha garganta. Ele me empurrou, fazendo com que meu corpo batesse no chão. Ele se aproximou de mim e me levantou pelos braços. Seu rosto estava quase colado no meu. Seus olhos eram verdes escuros, as feições eram fortes e o cabelo estava raspado. Ele aparentava ter a idade de Theo, provavelmente também era um mentor e ele era tão bonito quanto Theo. Porém, seu olhar era sombrio e demonstrava maldade, fazendo com que sua beleza se apagasse.  


- Ashton - alertou Theo.


- Não se meta nisso, Theo - disse Ashton - Ela tem que aprender. 


Meu corpo continuava a tremer e eu alternava o olhar entre Ashton e Theo. Por fora eu tentava parecer forte, mas por dentro eu implorava para que Theo fizesse alguma coisa. Eu ainda não gostava dele, mas pelo menos ele parecia sensato. Antes que eu pudesse perceber, Ashton levantou uma das mãos e acertou meu rosto em cheio. Seu tapa foi forte e me deixou desnorteada. 


- Agora tire suas roupas - falou ele com uma calma assustadora. 


Olhei para Theo, ainda implorando por sua intervenção. Mas ele apenas fechou as mãos com força. Seu olhar era impenetrável. Recebi novamente um tapa, mais forte que o último. Meu corpo todo estremeceu. 


- Tire.As.Roupas. - disse novamente. 


Percebi que a ajuda de Theo jamais viria. Fitei meus pés, impedindo que Ashton visse minhas lágrimas. Tirei minhas roupas, ficando apenas de short e top. Eu me sentia humilhada e ameaçada. Ashton agarrou uma de minhas bochechas e balançou meu rosto. 


- Boa garota. Volte para sua fila. 


Mirei o rosto de Theo e deixei que ele visse uma lágrima escorregando pela minha bochecha machucada. Ele engoliu em seco e desviou o olhar. Covarde. Eu estava no inferno. 


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sem Proteção - Parte 1

Encarei meu reflexo no espelho manchado. Eu com certeza estava mais forte, mas não possuía mais a doçura que um dia me pertenceu. Suspirei cansada. Mais um dia havia se passado. Como é que eu tinha ido parar naquele lugar? 

Dois meses antes 

Meu coração estava acelerado, mas eu exibia um sorriso triunfante, eu iria conseguir. Entrei na fila que dizia "Cuidados" e aguardei a minha vez. O sistema era simples: estudávamos desde pequenos e, assim que nos formássemos, deveríamos escolher em que área desejávamos trabalhar. Cuidados, Proteção, Administração ou Reprodução. Depois que escolhêssemos nossa área, éramos enviados para o trabalho que estivesse disponível.
Desde pequena eu sabia que a minha escolha seria a área "Cuidados", sempre me pareceu honrado cuidar de pessoas doentes e era isso o que eu queria. 
Com o canto do olho avistei a fila da Proteção. Homens altos, fortes, decididos, assustadores. Todos queriam um destino militar. Pouquíssimas mulheres iam para essa área. Eu, particularmente, jamais me colocaria naquela fila. 
- Tá olhando o que? - gritou uma mulher de cabelos negros. 
Voltei a fitar a cabeça da pessoa a minha frente. Todo mundo sabia que mexer com os da Proteção era suicídio e é por isso que todas as regras funcionavam perfeitamente bem. Ainda haviam cinco pessoas na minha frente, mas logo chegou a minha vez.
- Nome, por favor - solicitou uma senhora pequena e magra, tão magra quanto eu.
- Isis Carter - respondi sorridente.
- Idade, por favor.
- 17 anos.
- Tem algum trabalho que prefira? - perguntou ela por cima dos óculos.
- Qualquer um que envolva crianças - falei orgulhosa.
- Ótimo. Uma carta será enviada dentro de três dias. Nela estarão todas as informações. Boa sorte. Próximo!
Demorei alguns segundos para sair da fila, eu estava muito feliz. Me virei em direção a saída e esbarrei com a garota que havia gritado comigo. Em sua correntinha estava escrito "Jackie", não que adiantasse saber o nome de uma pessoas que eu nunca mais veria. 
- Acho que alguma magrela está querendo apanhar hoje - disse ela jogando o corpo na minha direção, como se fosse me bater. 
Recuei, piscando rapidamente. 
- Jackie - repreendeu uma voz masculina - Guarde toda essa raiva para o treinamento, deixe a magrela para lá. 
Arqueei as sobrancelhas diante daquele apelido. Quem eles achavam que eram para me ofender? Estufei o peito e me aproximei um pouco mais. 
- A magrela aqui tem um nome! E não admito que falem comigo desse jeito, seus brutamontes - gritei para Jackei e o garoto ao seu lado. 
Eu não havia notado sua beleza antes, mas ele era incrivelmente atraente. O cabelo levemente bagunçado, a pele bronzeada, a barba por fazer, olhos amendoados e brilhantes e o corpo definido. Não havia dúvidas sobre ele ser da Proteção, e vendo sua estrutura muscular percebi que ele deveria ser mais do que um soldado, talvez um comandante ou algo assim. Mas isso não me interessava, eu já não gostava dele, não importava quão bonito ele fosse. Bufei e virei as costas para os dois antes de ouvir alguma resposta. Saí pela porta sem nem olhar para trás. Eu nunca mais veria aqueles dois e, se visse, mandaria eles para "aquele" lugar.                                     
                          

                                                ❂ ❂ 


Quatro dias haviam se passado e nada de carta. Meus nervos estavam a flor da pele, algo estava errado, eu já deveria ter recebido as notícias sobre o trabalho. Me sentei no sofá da sala e fitei a caixa de correio do lado de fora. 
- Ela vai chegar, meu bem - assegurou minha mãe
Assim que ela terminou a frase comecei a escutar o barulho do caminhão de cartas. Pulei do sofá e corri totalmente atrapalhada até a caixa de correio. Cheguei do lado de fora com a respiração descompassada, correr não combinava comigo. Peguei a carta com as mãos trêmulas e rasguei o lacre. As palavras seguintes me deixaram totalmente sem chão, nada havia me preparado para aquilo. 

"Senhorita Isis Carter,
Informamos que foi designada para a área da Proteção e que seus serviços serão cobrados imediatamente..." 

Não consegui terminar de ler a carta, desmoronei sem forças, os joelhos batendo na grama. O barulho de uma buzina alta machucou meus ouvidos e chamou minha atenção para o outro lado da rua. Um caminhão verde e marrom com a palavra "Proteção" escrita estacionou. O garoto com quem eu havia discutido quatro dias antes colocou a cabeça para fora da janela e gritou:
- Parece que nos encontramos novamente , magrela. 
Aquilo só podia ser um pesadelo.