E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

As aventuras de Emily "Qualquer Coisa" - parte 4

 Tudo estava tranquilo demais, eu poderia relaxar e aproveitar o tempo com Owen, mas algo dentro de mim me dizia que aquela tranquilidade não era coisa boa. Eu estava me encontrando com Owen cada vez mais, e isso fazia com que as borboletas em meu estômago fizessem festa. Nós tomávamos muito cuidado para não sermos pegos, e, por incrível que pareça, estava dando certo. Fleur sequer sonhava que seu filho passava o tempo comigo, mas ela sempre foi conhecida por saber de tudo o que acontecia, por isso minhas entranhas se contorciam com o nervosismo, como se aquilo não estivesse certo. 
- Emily! - um frio percorreu minha espinha - Você por acaso está me escutando? 
- Desculpe, dona Fleur - falei, voltando minha atenção ao prato mal lavado em minhas mãos.
Seu olhar foi direto para os pratos e talheres empilhados ao meu lado. 
- Lave-os de novo, folgada - vociferou ela.
- Sim, senhora. 
- Escute, "Qualquer Coisa", Owen e eu daremos um jantar hoje à noite para alguns amigos. Quero que você limpe tudo, prepare as bebidas, arrume a mesa e deixe todos os banheiros brilhando.
Ela não estava sorrindo, mas a satisfação em sua voz era evidente e seus olhos brilhavam.
- Sim - falei.
- Sim o que? - disse ela agarrando com força meu braço
- Sim, senhora - respondi. 
Seus lábios formaram um sorriso triunfante e Fleur soltou meu braço já machucado. 
Owen não havia me falado nada sobre este tal jantar, talvez ele tivesse esquecido. Talvez. Lavei os pratos novamente e comecei as tarefas que Fleur havia me mandado fazer.

* * *

Três horas haviam se passado. Meus cabelos grudavam em minha testa suada e o céu escurecia a medida que eu terminava a limpeza do último banheiro. O barulho da porta da frente me deixou em alerta. Caminhei com calma em direção a dispensa, passando pelos convidados. Uma garota, com mais ou menos a minha idade, estava parada atrás de um casal muito bem arrumado, olhando desinteressadamente para as unhas. Ela era linda. Suas roupas eram modernas e os cabelos ruivos estavam impecáveis . Seu rosto era delicado, mas seus olhos demonstravam desprezo por tudo. Ela era, provavelmente, igual a Fleur. 
Passei por eles desejando ser invisível, mas sem sucesso. 
- Emily - disse Fleur.
- Sim, senhora - respondi com a cabeça baixa.
- Você irá nos servir hoje - o veneno escorria de seus lábios cheios de botox.
- Posso tomar um banho antes, dona Fleur? - perguntei quase correndo para poder me limpar.
- Não - vociferou. 
Minhas mãos começaram a tremer e neste exato momento Owen entrou pela porta. Tudo ficou em silêncio e eu pude perceber a confusão e o pânico estampados em seus olhos. Ele olhou para todos, demorando-se em mim. Corei com a atenção dele e tornei a olhar para o chão. 
- Owen, querido, que bom que você chegou - disse Fleur mais animada do que nunca.
- Oi, mãe - disse ele.
- Dê oi para a Kyla, filho - vociferou Fleur.
- Oi - disse Owen se dirigindo à garota bonita.
- Você se lembra destes dois pombinhos brincando juntos, Helena? - disse Fleur para a mulher esguia parada em sua frente.
- Mas é claro que lembro, Fleur! Eles ficavam lindos juntos. Aliás, ainda ficam - disse Helena com um olhar amoroso.
Aquilo tudo era como uma facada em meu estômago. Owen não havia me avisado que sua paixão antiga estaria no jantar, ele sequer havia me avisado sobre sua existência. Meu coração se apertou, mas a dor foi substituída pela raiva.
- Posso começar a servir, dona Fleur? - falei entre dentes.
- Claro, queridinha - disse ela falsamente. 
Atravessei a porta que dava para a cozinha e larguei os objetos de limpeza. Eu deveria ter previsto aquilo. Era óbvio que aquele jantar havia sido armado. Não era? Peguei a primeira travessa e me dirigi à mesa. O jantar começaria com a salada. Todos já estavam sentados. Owen ao lado de Kyla. Meu coração doía cada vez mais. Era impossível não escutar a conversa entre Fleur e Helena. As duas pareciam muito animadas. Retirei os pratos da salada e passei para o frango ao molho madeira com aspargos. 
- Ah Helena, é incrível como esses dois combinam! - disse Fleur quase gritando.
Levantei a cabeça e percebi que Fleur apontava animadamente para Owen e Kyla. Engoli seco, o ar ficando cada vez mais rarefeito. 
- Eu estava pensando nisso agora mesmo, Fleur querida - disse Helena.
- Ande logo com isso, Emily! O frango não está no meu prato ainda - falou Fleur irritada e querendo chamar atenção. 
Percebi o olhar nervoso de Owen em mim. Ele estava estranhamente quieto, enquanto Kyla lançava olhares significativos para ele. Eu queria puxar aquela garota pelos cabelos. Quem ela achava que era? 
Terminei de servir os pratos e corri para a cozinha. Eu precisava respirar e precisava me controlar. Aquilo era apenas um jantar, não era como se Owen fosse se casar com a garota. Esperei um tempo e servi a sobremesa.
- Você se lembra da Kattie Marc, tia Fleur? - perguntou Kyle com aquela voz irritante. 
- Claro minha querida.
- Bom, ela dará um baile de máscaras beneficente neste sábado - disse ela esperançosa.
- Mas que maravilha de notícia! Por que você e Owen não vão como um par? - perguntou Fleur com um soririso nojento nos lábios. 
- Era nisso que estávamos pensando - completou Helena. 
- Eu não quero ir nessa festa - disse Owen pela primeira vez no jantar.
Respirei aliviada. Fleur lhe lançou um olhar mortal.
- Mas é claro que quer, Owen - disse ela - A verdade é que Owen está pensando seriamente em pedir Kyla em namoro, ele só não sabia como fazer isso. Desculpe filho, mas eu tive que contar esta incrível notícia!
Meu mundo parou. Meus pés não encontraram mais o chão. Acho que parei de respirar. Aquilo não podia estar acontecendo. Como Owen iria namorar aquela garota? E nossos momentos juntos? As risadas, os carinhos, os beijos. Nada daquilo havia sido real? Encarei os olhos de Owen. Seu rosto estava sem cor alguma, mas ele sequer negou a informação. Todos comemoravam a minha volta, mas eu não conseguia me mexer, só conseguia fitar os olhos inexpressivos do garoto a minha frente. Ele se levantou e começou a vir na minha direção. 
- Em, eu posso explicar - disse ele.
Mas eu mal o ouvi. Balancei a cabeça e me afastei rapidamente, consegui ouvir as comemoração de Fleur, Helena e Kyla. Corri para o meu quarto. Fechei a porta com um estrondo. Uma garota me encarou. Seus olhos eram tristes, as roupas furadas, os cabelos desgrenhados, o rosto molhado. Era eu. E agora tudo vazia sentido. Owen nunca me quis, e nem poderia, como ele amaria alguém assim como eu? Meu coração se partiu e a dor foi insuportável. Caí no chão e fechei os olhos querendo entrar em um sono onde eu nunca mais acordasse. 

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