E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

domingo, 17 de maio de 2015

As Aventuras de Emily "Qualquer Coisa" - Parte 5

Owen

- Você não podia ter feito isso! - gritei com a mulher parada na minha frente, o sangue subindo para a minha cabeça. 
- Desculpe Kyla, Owen não queria que eu tivesse contado, estava esperando para contar quando vocês dois estivessem sozinhos - disse minha mãe para a garota que eu não queria. 
- Chega! - apontei para Fleur - Já chega!
- Owen - vociferou Fleur, como se fosse um aviso.
- Owen uma ova! - gritei - Cansei dos seus joguinhos, eu não sou uma porcaria de boneco que você pode manipular, não mais!
Saí antes de ouvir sua resposta, mas eu sabia que minha mãe deveria estar soltando fogo pelas ventas. O rosto de Emily invadiu minha mente. Lembrei de seus olhos tristes e uma dor atingiu meu estômago, como se eu tivesse levado um soco. Emily. Eu precisava ir atrás dela, precisava explicar que Kyla nunca foi a garota dos meus sonhos. Mas eu não podia deixar que Emily me visse daquele jeito. Subi as escadas até meu quarto e fui direto para o banheiro. Só um pouco de ar e as palavras certas, precisava pensar nas palavras certas.

Fleur

Me despedi das visitas assim que Owen se retirou da sala. Eu não podia acreditar que ele havia falado comigo daquele jeito. E tudo isso por causa daquela empregada que não tinha nenhum futuro. Ela não teria o meu filho, nunca. Ouvi os passos pesados de Owen subindo as escadas, ele não tinha ido ver a empregada. Um sorriso se formou em meus lábios. Uma mentira bastaria para tirar aquela sem classe da vida de Owen. Me dirigi até o lugar que ela chamava de quarto. Bati na porta e esperei. Naquele momento eu tive vontade de gargalhar alto. Emily "Qualquer Coisa" finalmente sairia do meu caminho e do de Owen. 

Emily 

Uma batida forte na porta fez meus olhos se abrirem, meu estômago se embrulhou com a ideia de deixar Owen me ver chorando, eu nem tinha certeza se queria vê-lo. Me levantei desajeitadamente e me dirigi até a porta. Abri devagar, lembrando de respirar.
- Owen, eu... - não consegui terminar a frase.
- Probrezinha, você realmente achou que ele viria te ver? - Fleur gargalhou - É realmente patético. 
Envolvi meu corpo com os braços, evitando olhar para aquela mulher.
- Escute com atenção: Owen não virá, ele não quer te ver, por isso pediu para que eu viesse. "Isso" - disse ela com cara de nojo - que você acha que aconteceu entre vocês não significou nada para o meu filho. Owen não está se sentindo confortável com o que aconteceu hoje no jantar, então é melhor você não se encontrar mais com ele. Não olhe para ele e não fique no mesmo cômodo que ele. Entendeu, "Qualquer Coisa"?
Eu estava anestesiada, eu acho, porque a voz de Fleur soava distante, como um sonho ruim. As lágrimas turvaram minha visão e eu mal percebi que já estava sozinha novamente no quarto. Owen não queria nem ficar no mesmo lugar que eu. Meu coração se partiu ainda mais, se é que eu ainda tinha um. Eu não podia mais ficar ali. Para onde eu iria? Não sei, mas também não me importava. Peguei uma pequena mala guardada debaixo da cama e joguei meus pertences dentro. Dei uma última olhada no quarto, tentando gravar todos os bons momentos que eu havia tido naquele cômodo. Fechei a porta atrás de mim em silêncio e segui para o quarto de Anette. Eu não podia mais morar naquela casa, mas também não podia ir embora sem avisar a mulher que era como uma mãe para mim. Bati na porta e entrei, ela estava sentada na cama fitando um porta retrato velho.
- An? Posso falar com você? - falei baixinho.
Ela se assustou com a minha presença e enxugou os olhos. Anette estava chorando? Nunca a tinha visto chorar antes.
- Claro, querida, entre - disse ela docemente.
- Está tudo bem? - perguntei.
- Está sim, agora conte-me o que veio me falar.
- Bom, eu preciso ir embora, meu lugar não é aqui.
Pude ver a tristeza e a confusão no rosto de Anette. Meu coração doía quando eu pensava na possibilidade de deixa-la.
- Você não pode ir embora, Emily. Você não tem para onde ir - disse ela quase em pânico.
- Mas eu não posso ficar aqui, Owen não quer me ver mais e Fleur quase me expulsou daqui.
- Owen? Não pode. Ele é louco por você, Em - disse An.
- Ele não é. Ele vai pedir Kyle em namoro no baile de máscaras.
- Onde escutou isso? - perguntou Anette franzindo as grossas sobrancelhas.
- No jantar de hoje a noite. Por favor, Anette, me ajude a ir embora - supliquei.
- Está bem. Mas não deixarei que você fique na rua. Vou pedir para que Clovis te leve até a casa de uma prima minha, ela cuidará de você.
Eu queria chorar, mas senti certo alívio sabendo que conseguiria sair daquela casa. Assenti com a cabeça e segui Anette. Saímos pela porta dos fundos e avistei o carro dos Morgan, An saiu para chamar Clovis, o motorista da casa. Em alguns minutos o carro já estava saindo da gigantesca garagem. Acenei para Anette, meu coração afundando no peito.

Owen

"Eu me apaixonei por você no dia em que te vi brincando com os passarinhos. Eu não sabia que era paixão, eu mal sabia que você seria dona do meu coração para sempre. Mas aqui está você, dona de todo o meu ser, motivo dos meus sorrisos. Eu jamais poderia ter outra pessoa, Em, porque eu só penso em você."
Eu diria isso para ela, não tinha sido difícil encontrar as palavras certas. Eu sabia o que eu queria e não iria deixar minha mãe estragar a única coisa boa que me aconteceu. Desci as escadas apressado e corri para o quarto de Em. Não bati na porta, apenas entrei, pronto para falar tudo o que eu pensava. Mas ela não estava lá. Tive a sensação de ser socado pela segunda vez naquela noite. Procurei por sinais dela no quarto familiar. As prateleiras estavam vazias, abri o armário com força, suas roupas também não estavam lá. Bati a porta de madeira do guarda roupa e comecei a soca-la, cada vez mais forte. Senti a pele dos nós dos meus dedos se ferirem, mas continuei. Ela foi embora. Ela não podia ir embora, eu a amava. A força desse pensamente me atingiu em cheio. Parei de socar a porta e congelei naquela mesma posição. Eu amava a Emily. Eu amava!! Escorrei até o chão e me sentei de costas para o armário, passei as mãos pelos cabelos. Eu não podia ter perdido a minha Emily. E então me lembrei de Anette, ela com certeza saberia o paradeiro de Em. Levantei rapidamente e em poucos segundos já estava batendo na porta de Anette e entrando em seu quarto. Ela se levantou da cama e cruzou os braços.
- Precisa de alguma coisa Owen? - disse ela entre dentes.
- Preciso da Emily! Você sabe para onde ela foi?? - perguntei com medo que ela não soubesse.
- Meio tarde para isso, não acha?
- Não, eu amo a Emily e vou encontra-la com ou sem a sua ajuda.
Anette pareceu confusa.
- Mas, pensei que você não a quisesse mais aqui.
Agora foi a minha vez de ficar confuso.
- O que? Do que você está falando, Anette?
- Emily estava aqui. Me contou do jantar, disse que você pediria Kyle em namoro e falou que a sua mãe foi avisa-la que você não a queria mais aqui - a raiva me atingiu mais uma vez - Ela me pediu ajuda para ir embora.
- Vou matar a Fleur, ela não tinha esse direito - falei saindo do quarto de Anette e indo para o quarto da minha mãe, ela pagaria por isso.
- Espere Owen! Eu tive uma ideia! - disse ela com um sobressalto.
Entrei no quarto outra vez, pronto para ouvir a sábia Anette.

Emily

Três dias, nove horas e vinte e três segundos haviam se passado desde a minha saída da casa dos Morgan, mas quem é que estava contando? Ahh, sim, eu. Owen não havia me procurado, Anette não havia ligado. Era um sábado quente e eu tinha acordado cedo. A prima de An era legal, mas não se comparava a ela. A saudade fez lágrimas brotarem nos meus olhos. O toque do telefone me fez dar um pulo da cama. Atendi.
- Em, preciso que me escute - a voz era doce e familiar.
- Tudo bem.
- Passarei aí hoje de tarde, levarei um vestido, maquiagem e uma máscara. Você irá ao baile de máscaras mais comentado da cidade.
Minha cabeça girou. Do que é que Anette estava falando? Ela só podia ter enlouquecido.
- An, eu não vou a esse baile, toda a cidade estará lá.
- Exatamente por isso, confie em mim - disse ela e por fim desligou sem se despedir.
Os últimos dias haviam sido malucos, mas não se comparavam a estranheza desses dois minutos de ligação. Passei o resto do tempo pensando nas palavras de Anette.

***

As cinco em ponto Anette apareceu. Abri a porta para ela, que entrou cheia de sacolas e caixas. Peguei algumas. O que era tudo aquilo?
- Muito bem mocinha, vamos produzir você! - disse ela retirando o conteúdo das sacolas.
- Não acho que seja uma boa ideia - falei.
- Você não precisa achar, apenas obedeça - falou An sorrindo.
Anette me colocou sentada em uma cadeira e iniciou o processo da maquiagem. Depois passou para meus cabelos e por fim me entregou um vestido. Vesti com cuidado.
- Não tenho certeza se ficou bom, An - falei insegura.
- Saia, quero ver como ficou, querida - disse ela delicadamente.
Saí do quarto e andei até o espelho da sala. A garota do espelho estava deslumbrante, sorria com lábios escuros pelo batom. A garota era eu. Um vestido preto com decote coração se encaixava nas minhas curvas que até aquele momento nunca tinham sido destacadas. A saia era mais curta na frente e possuía uma calda que tocava o chão. Meus cabelos estavam soltos e cachos davam um volume estonteante. Olhei para o rosto de Anette pelo espelho, ela parecia muito orgulhosa.
- Emily, você está maravilhosa - disse ela sorrindo - Ah! - lembrou ela - Falta a máscara.
Anette retirou a peça de uma pequena caixa. A máscara era de renda e dava um ar de mistério ao meu fino rosto.
- Agora sim você está pronta. Vamos, não podemos nos atrasar.
Anette me puxou pela mão e me guiou até um táxi. An não entrou comigo, apenas deu as instruções ao motorista.
- Você não vai? - perguntei agarrando sua mão.
- Não querida, essa noite é sua. Sua mãe ficaria orgulhosa da mulher linda que você se tornou - disse ela com orgulho na voz.
Meus olhos se enxeram de lágrimas.
- Não chore, querida, a maquiagem vai borrar - disse ela picando para mim - Vá.
O táxi começou a andar.


Owen

Nove horas da noite, o baile já havia começado a uma hora e meu coração batia cada vez mais rápido. Eu não conseguia conter meu nervosismo, eu faria algo importante hoje. Eu iria satisfazer a vontade da minha mãe. Bom. pelo menos boa parte dela. Minha mãe bateu em seu copo, pedindo a atenção de todos. Era a minha hora. Todos se sentaram. Minhas mãos suavam. Helena e Fleur trocaram um olhar cúmplice. Minha garganta estava seca.
- Gostaria de pedir a atenção de todos - disse minha mãe - Meu filho gostaria de fazer um pedido muito importante esta noite.
Minha mãe passou a palavra para mim. Ajeitei a gravata e agradeci por estar usando uma máscara. Limpei a garganta e olhei para as mulher sentadas na minha mesa, Helena, minha mãe, Kyle e minha irmã, todas sorrindo e esperando o pedido.
- Boa noite - iniciei - Gostaria de dizer umas palavras.
As portas duplas se abriram e uma linda mulher entrou no salão. Ela vestia um vestido preto que a deixava maravilhosa e seus cabelos cacheadas estavam macios e sedosos. Ela estava deslumbrante. E eu sabia quem ela era. Usei a recém chegada como ponto de foco para iniciar o discurso.
- Eu me apaixonei a muito tempo atrás e sequer percebi que era amor. Aquela garota meiga e encantadora se tornou dona do meu coração desde aquela época. Ela não sabia disso, não sabia que eu a observava e memorizava todos os seus jeitos  Hoje ela está aqui - falei me aproximando do meu ponto de foco - E é a mulher mais linda desse salão - não tirei meus olhos dos dela - Não, ela é a mulher mais linda desse mundo - ouvi os protestos das mulheres sentadas na mesa atrás de mim, mas não me importei, continuei me aproximando daquela garota incrível - E eu sinto orgulho em dizer que meu coração pertence a ela, que ela é meu lar - cheguei perto o bastante dela, minha respiração entrecortada e a dela, ofegante. Olhei em seus olhos e vi toda a emoção ali presente. Ela era minha e eu era dela. Retirei sua máscara.
- Não se atreva, Owen Morgan!! - disse a mulher que deveria me amar.
- Emily - falei olhando para ela - Você é o meu mundo. Eu te amo!


Emily

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu me atirei nos braços daquele homem maravilhoso. Eu o amava e era correspondida. Me sentia segura e completa. Percebi que eu também sempre havia pertencido a ele. Encostei sua boca na minha e selei aquele momento mágico, todos desapareceram, só havia eu e Owen.
- Parem!!! - gritou Fleur histérica.
Paramos o beijo e encaramos aquela mulher.
- Não, acabou, Fleur - disse Owen - Você não manda em nada aqui, eu não quero crescer e ser uma pessoa fútil como você. Eu irei amar meus filhos, coisa que você não foi capaz de fazer pelos seus. Eu não devo nada a você.
Eu estava orgulhosa de Owen, um sorriso bobo dominou meus lábios. Owen pegou minha mão e corremos para fora daquele salão ridículo. Corremos mais e mais, até nos atirarmos na grama fofa. Deitados lado a lado olhando as estrelas. Foi assim que a nossa história começou, eu olhava as estrelas quando esse garoto, que mudou meu mundo, apareceu. E aqui estávamos nós, finalmente juntos e olhando as mesmas estrelas.
- Eu te amo Emily - disse ele com emoção na voz.
- Eu te amo mais - completei.





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