"Ela
permanecia sentada naquele mesmo banco, como costumava fazer desde... bom,
desde sempre. Sua companhia era a música e um saquinho de pipoca pequeno e
cor-de-rosa, que sempre me pareceu muito apetitoso. Eu a observava de longe,
desejando que ela me notasse, mas sabendo que isso nunca aconteceria. Eu sequer
sabia seu nome, mas desejava, mais do que tudo, saber. Ela parecia forte por
fora, decidida, porém, seus olhos permaneciam sem brilho e sem emoção. Não, eles
tinham emoção, a tristeza.
Sua rotina
era simples: acordava cedo, pegava o ônibus até a faculdade, ficava lá por
algum tempo, almoçava, se dirigia até seu banco favorito, comia a pipoca, ouvia
sua música e, por fim, voltava para casa. No dia seguinte fazia tudo de novo.
Eu temia que, um dia, ela não aguentasse mais, e era por isso que eu estava
ali.
Ela olhava
para frente, mas eu sabia que não estava prestando atenção em nada. E então, eu
o vi, observando aquela garota encantadora do mesmo jeito que eu a observava,
porém, totalmente diferente de mim. Ele se aproximou cautelosamente dela e se
sentou ao seu lado. “Olhe para ele”, eu pensei. Ela virou. E nesse momento seus
olhos ganharam vida, ela retirou os fones e lhe ofereceu a pipoca.
Essa pessoa nunca saberá que foi alvo de uma história e de olhares curiosos. Amei a experiência.
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