E o que eu vou ler agora?

Sabe aquela sensação de vazio que fica quando a gente termina um livro? Aquela pequena dúvida "e o que eu faço agora". Bom, esse blog serve pra isso nunca mais acontecer! Vocês, meus querido leitores, vão poder checar essa "biblioteca de ideias" toda vez que a dúvida, o que ler agora, surgir. Aqui vão ter ideias de livros bons para ler, resenhas, sinopses, dicas, histórias e muito mais! Prontos? Então vamos lá!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sem Proteção - Parte 1

Encarei meu reflexo no espelho manchado. Eu com certeza estava mais forte, mas não possuía mais a doçura que um dia me pertenceu. Suspirei cansada. Mais um dia havia se passado. Como é que eu tinha ido parar naquele lugar? 

Dois meses antes 

Meu coração estava acelerado, mas eu exibia um sorriso triunfante, eu iria conseguir. Entrei na fila que dizia "Cuidados" e aguardei a minha vez. O sistema era simples: estudávamos desde pequenos e, assim que nos formássemos, deveríamos escolher em que área desejávamos trabalhar. Cuidados, Proteção, Administração ou Reprodução. Depois que escolhêssemos nossa área, éramos enviados para o trabalho que estivesse disponível.
Desde pequena eu sabia que a minha escolha seria a área "Cuidados", sempre me pareceu honrado cuidar de pessoas doentes e era isso o que eu queria. 
Com o canto do olho avistei a fila da Proteção. Homens altos, fortes, decididos, assustadores. Todos queriam um destino militar. Pouquíssimas mulheres iam para essa área. Eu, particularmente, jamais me colocaria naquela fila. 
- Tá olhando o que? - gritou uma mulher de cabelos negros. 
Voltei a fitar a cabeça da pessoa a minha frente. Todo mundo sabia que mexer com os da Proteção era suicídio e é por isso que todas as regras funcionavam perfeitamente bem. Ainda haviam cinco pessoas na minha frente, mas logo chegou a minha vez.
- Nome, por favor - solicitou uma senhora pequena e magra, tão magra quanto eu.
- Isis Carter - respondi sorridente.
- Idade, por favor.
- 17 anos.
- Tem algum trabalho que prefira? - perguntou ela por cima dos óculos.
- Qualquer um que envolva crianças - falei orgulhosa.
- Ótimo. Uma carta será enviada dentro de três dias. Nela estarão todas as informações. Boa sorte. Próximo!
Demorei alguns segundos para sair da fila, eu estava muito feliz. Me virei em direção a saída e esbarrei com a garota que havia gritado comigo. Em sua correntinha estava escrito "Jackie", não que adiantasse saber o nome de uma pessoas que eu nunca mais veria. 
- Acho que alguma magrela está querendo apanhar hoje - disse ela jogando o corpo na minha direção, como se fosse me bater. 
Recuei, piscando rapidamente. 
- Jackie - repreendeu uma voz masculina - Guarde toda essa raiva para o treinamento, deixe a magrela para lá. 
Arqueei as sobrancelhas diante daquele apelido. Quem eles achavam que eram para me ofender? Estufei o peito e me aproximei um pouco mais. 
- A magrela aqui tem um nome! E não admito que falem comigo desse jeito, seus brutamontes - gritei para Jackei e o garoto ao seu lado. 
Eu não havia notado sua beleza antes, mas ele era incrivelmente atraente. O cabelo levemente bagunçado, a pele bronzeada, a barba por fazer, olhos amendoados e brilhantes e o corpo definido. Não havia dúvidas sobre ele ser da Proteção, e vendo sua estrutura muscular percebi que ele deveria ser mais do que um soldado, talvez um comandante ou algo assim. Mas isso não me interessava, eu já não gostava dele, não importava quão bonito ele fosse. Bufei e virei as costas para os dois antes de ouvir alguma resposta. Saí pela porta sem nem olhar para trás. Eu nunca mais veria aqueles dois e, se visse, mandaria eles para "aquele" lugar.                                     
                          

                                                ❂ ❂ 


Quatro dias haviam se passado e nada de carta. Meus nervos estavam a flor da pele, algo estava errado, eu já deveria ter recebido as notícias sobre o trabalho. Me sentei no sofá da sala e fitei a caixa de correio do lado de fora. 
- Ela vai chegar, meu bem - assegurou minha mãe
Assim que ela terminou a frase comecei a escutar o barulho do caminhão de cartas. Pulei do sofá e corri totalmente atrapalhada até a caixa de correio. Cheguei do lado de fora com a respiração descompassada, correr não combinava comigo. Peguei a carta com as mãos trêmulas e rasguei o lacre. As palavras seguintes me deixaram totalmente sem chão, nada havia me preparado para aquilo. 

"Senhorita Isis Carter,
Informamos que foi designada para a área da Proteção e que seus serviços serão cobrados imediatamente..." 

Não consegui terminar de ler a carta, desmoronei sem forças, os joelhos batendo na grama. O barulho de uma buzina alta machucou meus ouvidos e chamou minha atenção para o outro lado da rua. Um caminhão verde e marrom com a palavra "Proteção" escrita estacionou. O garoto com quem eu havia discutido quatro dias antes colocou a cabeça para fora da janela e gritou:
- Parece que nos encontramos novamente , magrela. 
Aquilo só podia ser um pesadelo. 

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